Funbio

Projetos centrados em questões de gênero promovem geração de renda e empoderamento

Pescadoras “invisíveis” em comunidades fluminenses, roça feminina Kayapó, empreendedorismo na Amazônia e na Caatinga: um número crescente de projetos apoiados pelo Funbio traz à tona questões de gênero, envolvendo temas como geração de renda, empoderamento e capacitação. Apesar de constituírem mais da metade da população do Brasil e de, em mais de 37% das famílias serem as responsáveis pelo sustento (segundo dados do IBGE), mulheres em zonas urbanas e rurais do Brasil – e também de outros países – convivem diária e historicamente com desigualdades. O apoio a esses projetos contribui para a visibilidade dos desafios enfrentados por mulheres.

“Queremos um projeto para as mulheres, para fazer uma roça próxima à nossa aldeia e que nesse local possamos produzir farinha e alimentar nossas famílias”. Assim teve início o projeto Menire Nhô Puro – Roça para Mulheres, do Instituto Raoni, que tem apoio do Fundo Kayapó, envolve 53 mulheres, uma área de 13 hectares em que há plantio de banana, milho, abacaxi, pequi, cumaru, mandioca e mamão, que beneficiará 550 indígenas.

O Fundo de Oportunidades do Probio II, o TFCA e o Projeto de Apoio à Pesquisa Marinha e Costeira do Rio de Janeiro, iniciativas que assim como o Fundo Kayapó têm gestão financeira do Funbio, apoiam propostas que lidam diretamente com questões de gênero.

O Menire Nhô Puro – Roça para Mulheres (nome informal do projeto “Sustentabilidade alimentar e nutricional do povo Mebengokré/Kayapó”) busca a melhoria da qualidade de vida das famílias Kayapó, em que é comum o consumo de alimentos industrializados. Ele promove o plantio consorciado na área de 13 hectares destinada ao projeto, que se encontra em fase de implantação. Numa primeira etapa, mulheres e crianças participarão de oficinas em torno de conceitos como segurança alimentar, conta Karina Paço, coordenadora de projetos no Instituto Raoni. A capacitação técnica e a diversificação de produção deverão resultar em excedentes que serão vendidos pelas mulheres. Além do Fundo Kayapó, Ekos Brasil apoia a iniciativa.

No litoral fluminense, com apoio do Projeto de Apoio à Pesquisa Marinha e Costeira no Rio de Janeiro, terá início este ano o projeto “Mulheres na pesca, executado pela Sapur (Fundação de Apoio a Pesquisa Científica e Técnológica da USRRJ): mapa de conflitos socioambientais em municípios do norte fluminense e das baixadas litorâneas”, que mapeará e disponibilizará em formato digital os principais conflitos envolvendo mulheres em comunidades de pesca artesanal. Precariedade e baixa renda contribuem para a “invisibilidade” dessas trabalhadoras.

O Centro Experimental Floresta Ativa (CEFA), do projeto Saúde e Alegria. localizado na Resex Tapajós-Arapiuns, recebe recursos do Fundo de Oportunidades Probio II, que tem gestão do Funbio. O CEFA apoia o projeto de capacitação de mulheres empreendedoras, para que se cadastrem e, uma vez aprovadas, passem a ser apoiadas pelo programa “Fomento Mulher” da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) . Trata-se de um programa de crédito em atividade desde 2015, que destina até R$ 3 mil a projetos produtivos sob responsabilidade de mulheres.

Em 2016, foram apoiados 80 projetos de mulheres, dos quais mais de 50%  foram aprovados para receber o crédito do Sead, em atividades como a criação de pequenos animais, produção de hortaliças, meliponicultura, comércio e serviços (corte e costura, manicure e padaria, entre outros).

Em cerca de 60 municípios dos estados do Tocantins, Piauí, Maranhão e Pará, o TFCA apoia o projeto Fortalecimento das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu, da Associação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu. A ideia é capacitá-las para  que estejam aptas a acessar programas de compras  públicas e a Política de Garantia de Preços Mínimos para os Produtos da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio) da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário. A PGPM dá um bônus correspondente à diferença entre o preço de venda das amêndoas de babaçu no comércio regional e o valor mínimo determinado pela PGPM-Bio. Até novembro de 2016, 64 mulheres acessaram o programa, e receberam mais de R$ 81 mil.

CLIQUE NA IMAGEM E VEJA FOTO DOS PROJETOS.