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Home - Notícias - Ciência e pescadores unem forças em estudo sobre tubarões e raias da APA da Baleia Franca

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Notícias

24/07/2026

Ciência e pescadores unem forças em estudo sobre tubarões e raias da APA da Baleia Franca

Foto: Victoria Lebedeff/FUNBIO.
Foto: Victoria Lebedeff/FUNBIO.
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Criada para proteger a baleia-franca-austral, que todos os anos procura o litoral de Santa Catarina para se reproduzir, a Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca abriga uma biodiversidade que vai além do mamífero que lhe dá nome. Entre os animais que buscam refúgio na unidade de conservação estão diferentes espécies de tubarões e raias, algumas delas ameaçadas de extinção. 

Ainda pouco estudados na APA, a mestranda da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Victoria Lebedeff Oliveira, quer jogar luz sobre como tubarões e raias usam o território da área protegida, quais fatores influenciam sua ocorrência, quais ambientes são prioritários para sua sobrevivência e a relação entre esses animais e a pesca artesanal.

“O objetivo é construir uma visão mais completa sobre a ecologia desses animais em uma das áreas marinhas protegidas mais importantes aqui do sul do Brasil”, explica a pesquisadora, selecionada pelo Programa Bolsas FUNBIO – Conservando o Futuro 2025, por meio do Programa Fonseca de Liderança, com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês).

Embora registros históricos indiquem que a APA abriga uma diversidade expressiva de elasmobrânquios – grupo que reúne tubarões e raias –, as informações disponíveis ainda são pontuais e escassas. Segundo Victoria, até então não existiam estudos voltados especificamente à diversidade, à distribuição e à ecologia desse grupo dentro da unidade de conservação. A pesquisa busca preencher essa lacuna, produzindo dados inéditos e juntando o conhecimento científico e tradicional, em parceria com pescadores tradicionais.

Para coletar essas informações, Victoria fará embarques junto à frota pesqueira artesanal da APA. “Esse acompanhamento vem sendo desenvolvido com saídas de campo contínuas e embarques realizados em diferentes períodos do ano, permitindo com que a gente consiga acompanhar de forma mais próxima a dinâmica da pesca e também a ocorrência dos tubarões e raias ao longo do tempo”, detalha.

Além de acompanhar a rotina dos pescadores, ela irá registrar e identificar quais as espécies capturadas, coletar dados biológicos e documentar o ambiente onde esses animais foram encontrados (local de captura, tipo de habitat e condições da pesca). 

“Um dos grandes diferenciais desse projeto é justamente a continuidade do monitoramento. Ao acompanhar a atividade pesqueira de forma recorrente, a gente consegue construir uma visão mais completa sobre como essas espécies utilizam a região, identifica padrões de ocorrência, áreas importantes e também possíveis mudanças ao longo das estações e dos anos”, explica Victoria.

A pesca é uma das principais atividades econômicas e culturais da região. Por isso, outro aspecto importante da pesquisa é a parceria com os pescadores, que já possuem um conhecimento profundo sobre o ambiente marinho e as espécies que ocorrem. “A parceria com os pescadores torna a pesquisa mais possível, confiável e conectada à realidade”, acrescenta a mestranda.

Os recursos da bolsa possibilitaram que ela ampliasse as atividades de campo, adquirisse equipamentos e realizasse novas coletas. “Em uma pesquisa que depende do acompanhamento da pesca artesanal e da coleta contínua de informações, esse suporte é fundamental para que o trabalho tenha consistência”, destaca.

O objetivo da bolsista é não apenas identificar áreas prioritárias para tubarões e raias dentro da APA, mas construir estratégias compatíveis com a realidade da pesca artesanal. Afinal, uma Área de Proteção Ambiental pertence à categoria de unidades de conservação de uso sustentável que tem a missão de proteger a biodiversidade junto aos modos de vida das comunidades tradicionais e o uso racional dos recursos naturais.

“A ideia é contribuir não só para proteger essas espécies, mas também para fortalecer a relação entre a ciência, a comunidade e a gestão”, resume Victoria. “Quando diferentes conhecimentos caminham juntos, as ações de conservação se tornam mais fortes e mais efetivas”, defende.

 

Tags: #BolsasFUNBIO
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