Relatório anual 2025

Confira nosso relatório de atividades

Mecanismo indígena Vítuke

Recursos diretos para os indígenas de todos os biomas brasileiros.

Floresta Viva

Restauração ecológica dos biomas brasileiros com recursos do Fundo Socioambiental do BNDES e de instituições apoiadoras

FINACLIMA-SP

Mecanismo que viabiliza aportes de recursos privados, para ampliar e qualificar o financiamento climático no território paulista

AMAZÔNIA VIVA

Mecanismo de Financiamento Amazônia Viva fortalece organizações, negócios e a cadeias da sociobiodiversidade

Fundo Kayapó

Mecanismo indígena que tem como missão apoiar o povo indígena Mebêngôkre-Kayapó

ARPA

O maior programa de conservação de florestas tropicais do planeta

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Postado dia 11 junho 2026

Bolsistas do FUNBIO do Programa Fonseca de Liderança participam de Assembleia do GEF

Dedicado a formar uma nova geração de conservacionistas, o Programa Fonseca de Liderança, realizado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), levou um grupo de 15 fellows para acompanhar a 8ª Assembleia do GEF, realizada em Samarcanda, Uzbequistão, no início de junho. E entre os selecionados estavam dois doutorandos brasileiros, apoiados por meio do Programa Bolsas FUNBIO – Conservando o Futuro: Catherine Rios e João Xavier. “Para nós que somos da pesquisa foi muito interessante ver como essas discussões acontecem em nível global, como os delegados e países fazem essa discussão. E entender as políticas por trás dos financiamentos e das estratégias de conservação. E que nós precisamos participar desse debate para colocar nossas necessidades regionais e nacionais na mesa de discussões”, resume João, doutorando da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A Assembleia é o órgão de governança máximo do GEF, composta por 186 países-membros que se reúnem a cada quatro anos para traçar um caminho para o cumprimento das metas ambientais globais. O evento reúne ministros, chefes de organizações internacionais, líderes empresariais, defensores da sociedade civil, povos indígenas, mulheres e jovens de todos os países. “Foi uma experiência excelente, que com certeza mudou minha vida pessoal e profissional. Estar na Assembleia me permitiu conhecer outros fellows, entender melhor como funcionam as tomadas de decisão e como são distribuídos os recursos financeiros para a conservação que impactam na minha pesquisa de doutorado e na conservação do Brasil”, conta Catherine Rios, doutoranda da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A experiência dos fellows incluiu a realização de um curso de lideranças, voltado para fortalecer suas habilidades e capacidades como porta-vozes da conservação da natureza no mundo.  “Acho que o principal foco do Programa Fonseca de Liderança é oportunizar. Oportunizar para que nossos países do Sul Global possam fazer pesquisa, de base e qualidade. E essa experiência definitivamente me permitiu ter novos sonhos. Novos caminhos profissionais foram abertos para mim”, afirma Catherine, que está na fase final da sua pesquisa sobre a biodiversidade rica e única da área de transição entre Caatinga e Cerrado no estado do Maranhão. O pesquisador da UFSC compartilha o sentimento e a gratidão aos aprendizados, conexões e trocas que os dois irão levar dessa oportunidade. Em seu projeto, João  busca compreender os impactos causados pelas mudanças climáticas aos anfíbios e como as estratégias atuais de conservação dão conta – ou não – da conservação desses animais no longo prazo na região subtropical brasileira, que engloba os estados do Sul, parte de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Uma pauta atual, global e que, agora, ele tem mais ferramentas para amplificar. “No treinamento de lideranças aprendemos como estruturar nosso projeto, como avaliar nossa tomada de decisões, como tentar mudar a atitude do nosso público-alvo com relação à conservação, como atender aos objetivos dos nossos projetos e como comunicá-los”, explica João. O Programa Fonseca de Lideranças foi criado em nome do cientista brasileiro Gustavo Fonseca, que faleceu precocemente em 2022, em homenagem às suas contribuições para a conservação da biodiversidade no mundo. Em parceria com outras iniciativas institucionais já existentes, o programa dedica-se a formar e apoiar uma nova geração de profissionais da conservação de países em desenvolvimento e com economias em transição. 

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Postado dia 11 junho 2026

Pesquisa mapeia rotas de aves marinhas ameaçadas no Nordeste em prol da conservação

Quando se trata da conservação de espécies migratórias, desvendar suas rotas, seus pontos de parada, alimentação, descanso e reprodução, é fundamental. Rastrear esses movimentos, porém, não é fácil. Para desvendá-los, o doutorando Rafael Revoredo, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que quer mapear os trajetos percorridos por aves marinhas ameaçadas de extinção na costa semiárida brasileira, conta com a ajuda da tecnologias como GPS e telemetria.  O pesquisador é um dos selecionados na 8ª  edição do Bolsas FUNBIO – Conservando o Futuro, por meio do Programa Fonseca de Liderança, do Fundo Global do Meio Ambiente (GEF). “Imagine se o GPS do celular de uma pessoa ficasse ligado o tempo todo. Ao observar seus deslocamentos ao longo de um mês, seria possível identificar onde ela mora, trabalha, se alimenta e socializa. Se esse mesmo exercício fosse feito com muitas pessoas de uma cidade, surgiriam padrões de uso do espaço urbano. Com as aves, a lógica é parecida. Elas não carregam celulares, mas pequenos dispositivos de rastreamento permitem entender onde descansam, onde pescam, quais rotas utilizam e quais áreas são fundamentais para sua sobrevivência”, explica Rafael. O estudo tem foco em duas espécies costeiras-marinhas ameaçadas: o trinta-réis-róseo (Sterna dougallii) e o trinta-réis-de-bando (Thalasseus acuflavidus), ambas classificadas pelo ICMBio como Vulneráveis ao risco de extinção. Além de entender onde essas aves estão e por onde se deslocam no Oceano e ao longo da costa, Rafael busca compreender quais fatores influenciam essa escolha: o vento; a disponibilidade de alimento, como peixes e presas; e a presença de atividade humana ou mesmo estruturas artificiais na paisagem costeira. E o possível impacto de ameaças futuras como a instalação de eólicas offshore e das mudanças climáticas e o aumento do nível do mar. Para isso, ele mapeou pontos de ocorrência para captura das aves que irão receber os dispositivos de GPS e os pontos de instalação das antenas receptoras responsáveis por coletar esses dados. Como se tratam de aves migratórias, com largas áreas de distribuição, o pesquisador fará diversas expedições, indo desde o Rio Grande do Norte, principalmente no município de Galinhos, que será sua principal área de captura, até os estados do Ceará, Pará e na divisa entre Bahia e Sergipe. Rafael conta ainda com parcerias para coleta de dados nos Estados Unidos. As campanhas são planejadas de acordo com os períodos em que já se sabe que as aves ocorrem com maior abundância nos diferentes pontos do litoral.  “A ideia é fazer também expedições exploratórias para descobrir novas áreas de uso dos animais entre Sergipe e Bahia, em novas áreas do Rio Grande do Norte e pontos do Norte do país, principalmente no Pará”, explica o doutorando. “Assim, poderemos marcá-las nesses novos locais e entender a movimentação que desempenham em outros ambientes também e expandir esse conhecimento”, acrescenta. O escopo ambicioso da pesquisa só foi possível graças ao apoio do Bolsas FUNBIO, destaca Rafael. “A Bolsa do FUNBIO vai permitir que a gente vá mais longe, prospecte melhor novas áreas e consiga executar novas expedições que antes não estavam previstas por falta de recursos. Ela vem em um momento fundamental e permite que a gente consiga não só executar com maestria a pesquisa, mas até mesmo ir além”, avalia. Os recursos ajudarão a viabilizar expedições de campo, combustível, alimentação, hospedagem, aquisição de equipamentos e materiais.  Além de gerar conhecimento, o doutorando tem como objetivo apoiar a conservação das espécies, que já sofrem com impactos em linhas de transmissão de energia no estado potiguar. Com a pesquisa, Rafael espera ampliar o olhar sobre o que está acontecendo com esses trinta-réis ameaçados em outros pontos da distribuição da espécie. E mais importante, o que pode ser feito em termos de prevenção. O trabalho está alinhado com as metas estabelecidas no Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação das Aves Marinhas, que inclui 17 espécies-alvo, dentre elas o trinta-réis-róseo e o trinta-réis-de-bando. “Não é apenas a pesquisa pela pesquisa, é uma ação dentro do PAN. E, portanto, uma forma de fazer conservação efetiva”, pontua.  Ao identificar áreas prioritárias, rotas de deslocamento e riscos potenciais, o estudo pode subsidiar conversas com órgãos públicos, empresas e outros setores envolvidos no uso da zona costeira e marinha sobre boas práticas. “Para termos um desenvolvimento cada vez mais sustentável, que olhe para o futuro considerando também a conservação das espécies”, conclui.

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Postado dia 11 junho 2026

A resposta das plantas à seca e ao fogo nos campos de altitude

Nos campos de altitude do Parque Nacional do Itatiaia, no estado do Rio de Janeiro, o clima muda em questão de horas. O dia pode começar com sol forte, vento seco e calor sobre as plantas e, de repente, ser tomado por neblina, frio e umidade. É nesse ambiente de extremos que Anna Luzia Ehms, mestranda da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), investiga como a vegetação responde a dois elementos cada vez mais importantes: o fogo e a seca. Sua pesquisa foi selecionada em 2025 pelo Programa Bolsas FUNBIO – Conservando o Futuro, por meio do Programa Fonseca de Liderança, do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). O trabalho busca entender como plantas que já vivem sob condições climáticas extremas conseguem se recuperar depois de um incêndio e se as características que as ajudam a suportar o estresse climático também favorecem sua resposta ao fogo. “Uma das principais características dos campos de altitude é justamente a sazonalidade e a instabilidade”, explica Anna. “Você está lá, está um solzão, superseco, vento para caramba, sol torrando nas plantas. E aí, do nada, entra uma neblina, começa a ficar superfrio e fica úmido”, explica a pesquisadora. O estudo nasceu de uma “oportunidade” inesperada. O Laboratório de Ecologia Vegetal da UERJ, onde Anna desenvolve sua pesquisa, já monitorava havia quase dez anos uma área de campos de altitude no Itatiaia. O objetivo era compreender como as plantas lidam com a instabilidade climática típica desse ambiente. Em 2024, porém, um incêndio atingiu cerca de 300 hectares do parque nacional e queimou parte da área que já vinha sendo acompanhada pelos pesquisadores. A tragédia abriu uma nova pergunta científica. “A gente já tinha esses dados. Pegou fogo lá e a gente falou: como essas plantas vão voltar?”, lembra Anna. Um mês depois do incêndio, a equipe retornou ao campo e encontrou a vegetação novamente verde. Mas quais plantas estavam voltando? O fogo havia alterado a composição da vegetação? De alguma forma esse fogo alterou a capacidade dessas espécies de lidar com a seca, deixando alguma espécie mais vulnerável? Para responder a essas perguntas, a pesquisa compara áreas queimadas e não queimadas em diferentes momentos do ano, incluindo estações secas e chuvosas. O trabalho analisa espécies dominantes dos campos de altitude, como Cortaderia modesta, Chusquea pinifolia e Machaerina ensifolia. Em campo, ela mede características funcionais das plantas, incluindo atributos morfológicos, fisiológicos e hidráulicos, ou seja, aspectos que ajudam a descrever como cada espécie usa a água, tolera a desidratação e se recupera após o fogo. A previsão para a região, com as mudanças climáticas, é que haja uma intensificação da sazonalidade com chuvas mais concentradas e períodos secos mais severos. Hoje, o fogo no Parque Nacional do Itatiaia está fortemente associado a causas antrópicas. Em um cenário de mudanças climáticas, com secas mais intensas e maior acúmulo de biomassa seca, incêndios acidentais ou criminosos podem se espalhar com mais força. Por isso, os resultados do estudo podem contribuir para discussões sobre Planos de Manejo Integrado do Fogo e a melhor estratégia para as queimas prescritas controladas para evitar que novos incêndios se espalhem. O apoio do Programa Bolsas FUNBIO tem sido central para a pesquisadora viabilizar essa presença constante em campo, custeando deslocamentos, materiais básicos e a participação de uma equipe de apoio nas atividades no parque. Para uma pesquisa que depende de medições frequentes, em diferentes estações, esse suporte garante continuidade e qualidade aos dados coletados. “Está permitindo que eu consiga fazer tudo de forma tranquila, sem esse estresse financeiro, convocando a equipe que eu preciso convocar para subir quase todo mês e fazer todas as minhas medidas lá”, compartilha. Ao investigar como o fogo e a seca interagem nos campos de altitude, Anna olha para um ambiente que funciona como sentinela das mudanças climáticas. Entender a resistência e os limites dessas plantas é também uma forma de antecipar riscos, orientar decisões de manejo e conservar paisagens raras, antigas e sensíveis, onde cada resposta da vegetação ajuda a contar uma parte do futuro climático das montanhas brasileiras.

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