Mecanismo indígena Vítuke

Recursos diretos para os indígenas de todos os biomas brasileiros.

Floresta Viva

Restauração ecológica dos biomas brasileiros com recursos do Fundo Socioambiental do BNDES e de instituições apoiadoras

FINACLIMA-SP

Mecanismo que viabiliza aportes de recursos privados, para ampliar e qualificar o financiamento climático no território paulista

AMAZÔNIA VIVA

Mecanismo de Financiamento Amazônia Viva fortalece organizações, negócios e a cadeias da sociobiodiversidade

Fundo Kayapó

Mecanismo indígena que tem como missão apoiar o povo indígena Mebêngôkre-Kayapó

ARPA

O maior programa de conservação de florestas tropicais do planeta

Image banner
Postado dia 11 março 2026

O artesanato como transmissão de saberes e autonomia das menire

Se você estiver em uma prosa boa e tranquila em Mebêngôkre (autodenominação do povo Kayapó), certamente a saudação “Mejkumrej!” será ouvida a cada poucos minutos de conversa. A palavra, na língua indígena, quer dizer “aquilo que é belo ou bom”, “aquilo que está bem”. Em outras traduções, aparece também como expressão de conexão e concordância com o que está sendo dito ou como um elogio. Um bom dia mais entusiasmado pode vir acompanhado de um mejkumrej, assim como uma lembrança feliz ou um relato que cause animação. Mais do que uma interjeição, mejkumrej é um conceito. Entre os Kayapó, ele atravessa a vida social, a estética, a ética e a forma de estar no mundo. É nas mãos das menire, que significa mulheres na língua Mebênkôjre, que o mejkumrej ganha forma. Elas são as grandes responsáveis pela transmissão dos saberes das artes Kayapó. Embora o aprendizado comece ainda na infância, é com o nascimento de uma criança que a mulher passa a exercitar a pintura de forma mais cotidiana e autoral. A jovem mãe traduz, então, o conhecimento recebido das mulheres mais velhas de sua família em pinturas e adornos no corpo da criança que chega ao mundo. Reconhecidos pela simetria e originalidade dos traços, os grafismos Kayapó são desenhados com precisão e delicadeza. Seja nos corpos e tecidos pintados com jenipapo e urucum, seja no trançado manual das cestarias, pulseiras, colares, brincos e gargantilhas, a arte Kayapó expressa um estado de beleza (meyx, na língua indígena) entendido como propósito para a continuidade da cultura. O artesanato Kayapó é conhecimento que passa de geração em geração pelas mãos das mulheres mais velhas. Cada peça carrega histórias e ensinamentos sobre a cosmologia Kayapó e suas estéticas, sobre a artesã que cria um novo adorno e sobre as que vieram antes dela. Miçangas tramadas em padrões tradicionais formam uma diversidade impressionante de combinações de cores, desenhos e significados. Os homens também produzem artefatos valiosos para a manutenção da cultura Mebêngôkre, como bordunas, cestarias e cocares. “Se não ensinarmos aos jovens, quem contará nossas histórias no futuro?, pergunta o cacique Ytei Metuktire, da T.I. Capoto-Jarinã numa das cenas do documentário Bep Kororoti - O Olho que Tudo Vê. Produzido na aldeia com equipe indígena e recursos do Fundo Kayapó, o filme retrata a força das atividades cotidianas da aldeia por meio de seus anciãos e lideranças, e também contempla a inserção da juventude na manutenção de sua cultura e territórios. As cenas captadas por Arewana Yudjá demonstram que o processo de transmissão dos saberes é um ato contínuo, que se dá nos fazeres da vida cotidiana, de geração em geração. Renda, autonomia e floresta em pé Além de fomentar a transmissão de conhecimentos ancestrais e a valorização dos modos de fazer tradicionais, o artesanato é hoje a principal fonte de renda para muitas mulheres Kayapó. As três principais organizações Mebêngôkre possuem marcas próprias e uma produção contínua que garante autonomia financeira para muitas mulheres e suas famílias. A Meprodjà, vinculada à Associação Floresta Protegida (AFP); a Arte Indígena, do Instituto Raoni (IR); e a Arte Kayapó, do Instituto Kabu movimentam a cadeia do artesanato em todas as suas etapas, desde a formação de novas artesãs até o escoamento dessa produção seja em eventos, lojas físicas e online. Entre outubro de 2024 e junho de 2025, apenas o Instituto Kabu registrou cerca de R$603 mil em faturamento com a comercialização de artesanato, demonstrando que a floresta em pé também sustenta economias vivas. Pelas mãos de 68 mulheres uma receita de mais de R$43 mil chegou como renda direta para as artesãs que participaram das oficinas de pintura em tecidos promovida pelo Instituto Kabu neste ciclo. Contemplada pela primeira vez pelo Fundo Kayapó com um projeto que fortalece o artesanato, a Associação Indígena Pore Kayapó (AIPK), localizada na T.I. Kayapó, fez com que 86kg de miçangas circulassem como matéria-prima de identidade, renda e valorização cultural ao longo do tempo de execução do projeto. Com 44 artesãs cadastradas, o projeto desenvolveu códigos individuais de venda e trabalha na implementação de uma loja virtual. Entre grafismos, miçangas, decisões políticas e geração de renda, as cadeias produtivas lideradas pelas menires são mais que atividade tradicional. É a prova de que para os Mebêngôkre, cuidar da cultura, do território e dos saberes é uma forma de dizer mejkumrej!

Ler notícia
Image banner
Postado dia 11 março 2026

Governança do Fundo Kayapó como estratégia de conservação

Apesar dos avanços na captação de recursos, as barreiras ao financiamento direto são estruturais. De acordo com estudo feito pela Rainforest Foundation, os critérios de elegibilidade não levam em consideração a forma como organizações indígenas operam. Outros obstáculos a serem superados são o pouco investimento em capacidades operacionais e a falta de alinhamento de expectativas entre comunidades, doadores e parceiros. “O Fundo Kayapó foi criado para garantir estabilidade financeira às organizações indígenas e permitir que mantivessem equipes, estruturas e projetos em funcionamento”, afirma Renata Pinheiro, diretora de Povos Indígenas e Comunidades da CI-Brasil, uma das instituições fundadoras e doadoras permanentes da iniciativa. “Nosso desejo é que o mecanismo deixe de ser um fundo para os Kayapó e passe a ser cada vez mais um fundo dos Kayapó, como uma ferramenta de luta, de implementação de direitos, sustentabilidade financeira e autonomia.” Quinze anos depois, o processo de redesenho da governança do Fundo Kayapó marca um momento relevante no campo do financiamento socioambiental sob a perspectiva dos direitos territoriais. A transição vem sendo construída ao longo dos últimos anos com a participação direta de organizações indígenas e suas lideranças. As reuniões periódicas do comitê de governança trazem novas propostas e questionamentos, apresentados de acordo com a perspectiva dos diferentes contextos locais, promovendo debates fundamentais sobre atribuições, instâncias deliberativas e estratégias de gestão e captação de recursos. Ao final, uma carta assinada por todos os presentes formaliza os compromissos acordados e apresenta as expectativas para a próxima assembleia. “Nós, Mebêngôkre, sempre fomos beneficiários e hoje estamos construindo, junto com organizações parceiras, um modelo de governança que inclui o nosso povo nas decisões, trazendo também as mulheres Kayapó para esse espaço”, afirma Mayalu Kokometi Waurá Txucarramãe, coordenadora executiva do Instituto Raoni e integrante do comitê de governança. “Queremos deixar um legado sustentável de recursos para que as futuras gerações possam manter a proteção dos nossos territórios. É um plano de longo prazo: precisamos olhar para a nossa história e agir no presente para pensar o futuro”, defende Mayalu. Cláudia Soares é indígena do povo Baré e diretora executiva do Podáali - Fundo Indígena da Amazônia. A convite do FUNBIO - Fundo Brasileiro para a Biodiversidade, Cláudia compartilhou a experiência do Podáali junto ao comitê de governança Kayapó. “Foram 20 anos de articulação junto ao movimento indígena, com assembleias regionais em todo o território para que o Podáali chegasse a um modelo representativo para ser lançado finalmente em 2020, como iniciativa da rede COIAB - Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira”, lembrou Cláudia. Com participação em três conferências do clima, Josimara Baré tem debatido sobre o financiamento climático por onde passa. Antes de liderar o Fundo Indígena Rutî (CIR), a gestora rio negrina passou pela estruturação de outras iniciativas como o FIRN - Fundo Indígena do Rio Negro (FOIRN) e vê os mecanismos financeiros como ferramentas fundamentais para o fortalecimento das organizações indígenas e dos territórios. Para Josimara, um fundo indígena é uma “flecha pronta para quebrar paradigmas”, referindo-se às políticas rígidas da maioria dos modelos de financiamento disponíveis. Muitas vezes incompatíveis com as realidades diversas e complexas das terras indígenas, as regras para operar recursos acabam dificultando o acesso direto a investimentos e distanciando a comunidade da gestão.

Ler notícia
Image banner
Postado dia 3 março 2026

Bolsas FUNBIO – Conservando o Futuro anuncia resultados com recorde de inscritos e aprovados

O Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO), em parceria com o Programa Fonseca de Liderança, do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF na sigla em inglês), anuncia o resultado do edital Bolsas FUNBIO – Conservando o Futuro, que registrou recorde histórico de participação, com 629 inscrições recebidas e 37 projetos aprovados para a edição 2025. Reforçamos que todas as etapas foram conduzidas com o mesmo rigor, independência técnica e compromisso com a ética e a transparência, atributos que marcam a história deste programa desde sua criação, em 2018. Nesta edição, serão destinados até R$ 2 milhões para apoiar pesquisas de campo desenvolvidas por mestrandos e doutorandos em todos os biomas brasileiros. Os projetos selecionados atuam diretamente em temas estratégicos para conservação em todo o território brasileiro: Conservação, manejo e uso sustentável da fauna e da flora, Recuperação de paisagens e áreas degradadas, Gestão territorial para proteção da biodiversidade e Mudanças climáticas e conservação da biodiversidade. Os projetos representam 56 instituições de ensino e pesquisa, reforçando o alcance nacional do programa. “Ficamos muito satisfeitos com a qualidade das propostas desses jovens cientistas. O número recorde indica a consolidação do programa como um efetivo meio de fomentar a pesquisa de campo aplicada no Brasil. São pesquisas que geram conhecimento e podem apoiar a tomada de decisão e futuras políticas públicas”, destaca Rosa Lemos de Sá, secretária-geral do FUNBIO e criadora do Programa. Desde sua criação, em 2018, o programa já apoiou 253 pesquisadores, dos quais 170 doutorandos e 46 mestrandos, vinculados a 53 instituições. Ao longo das edições, o programa vem contribuindo de forma decisiva para suprir uma lacuna histórica no financiamento de pesquisas de campo, etapa fundamental da formação científica. As pesquisas em destaque, recebem apoio do Programa Fonseca de Liderança, iniciativa global do GEF que incentiva pesquisas de campo em todo o mundo e conecta mais de 200 jovens pesquisadores em prol da conservação. "O programa é recente, mas já temos uma rede de mais de 240 Fonseca Fellows – como são chamados os bolsistas – de 54 países, de todos os continentes. Estamos lançando uma iniciativa de capacitação para trabalhar aspectos de liderança, onde os bolsistas mais destacados sao treinados para participar de discussões de políticas globais relacionadas às agendas de conservação", afirma a chefe da Divisão de Parcerias do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), Dra. Adriana G. Moreira. "O programa é recente, mas já temos uma rede de mais de 240 Fonseca Fellows – como são chamados os bolsistas – de 54 países, de todos os continentes. Estamos lançando uma iniciativa de capacitação para trabalhar aspectos de liderança, onde os bolsistas mais destacados sao treinados para participar de discussões de políticas globais relacionadas às agendas de conservação", afirma a chefe da Divisão de Parcerias do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), Dra. Adriana G. Moreira. Veja a lista completa dos selecionados aqui. Sobre o FUNBIO: O Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) é um mecanismo financeiro nacional privado, sem fins lucrativos, que trabalha em parceria com os setores governamental, empresarial e a sociedade civil para que recursos estratégicos sejam destinados a iniciativas efetivas de conservação da biodiversidade. Entre as principais atividades realizadas estão a gestão financeira de projetos, o desenho de mecanismos financeiros e estudos de novas fontes de recursos para a conservação. É a única instituição da sociedade civil no Hemisfério Sul acreditada como agência implementadora do GEF - Fundo Global para o Meio Ambiente  e do Fundo Global para o Clima. Sobre o Fonseca Leadership Program Em memória do cientista tropical Gustavo Fonseca e suas contribuições para a conservação da biodiversidade, o Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF) criou o Programa Fonseca de Liderança. Nomeado em homenagem ao Diretor de Programas do GEF falecido em 2022, o programa se baseia em parcerias com diversas iniciativas institucionais já existentes, dedicadas a formar e apoiar a próxima geração de conservacionistas. O objetivo é atender necessidades e requisitos específicos de profissionais de conservação de países em desenvolvimento e países com economias em transição, beneficiários do financiamento do GEF. O programa destaca dois aspectos da formação de um profissional de conservação: formação acadêmica formal de pós-graduação e trabalho de campo em conservação. Todas as parcerias estabelecidas se concentram em uma região geográfica específica e em treinamentos de pós-graduação ou bolsas de campo.

Ler notícia