Floresta Viva
Restauração ecológica dos biomas brasileiros com recursos do Fundo Socioambiental do BNDES e de instituições apoiadoras
FINACLIMA-SP
Mecanismo que viabiliza aportes de recursos privados, para ampliar e qualificar o financiamento climático no território paulista
AMAZÔNIA VIVA
Mecanismo de Financiamento Amazônia Viva fortalece organizações, negócios e a cadeias da sociobiodiversidade

Floresta Viva anuncia resultado de edital de R$ 5,3 milhões para recuperar áreas degradadas na Bacia do Rio Xingu
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou, nesta terça-feira (8), o resultado do edital Bacia do Rio Xingu 2, da iniciativa Floresta Viva. Foram selecionados três projetos, que receberão R$ 5,3 milhões para restaurar 140 hectares e fortalecer a cadeia produtiva da restauração ecológica na Bacia do Rio Xingu, no estado do Mato Grosso. O anúncio foi realizado no Palácio do Planalto, em Brasília, durante o evento Amazônia Protegida: Novos territórios para conservação e desenvolvimento sustentável, em celebração ao Dia da Amazônia. Na ocasião, o BNDES também anunciou financiamento de R$ 180 milhões do Fundo Clima para restauração de mais de 10 mil hectares na APA Triunfo do Xingu, no Pará, e R$ 50,5 milhões do Fundo Amazônia para o projeto Naturezas Quilombolas. As instituições selecionadas no edital Bacia do Rio Xingu 2 foram: a Fundação Pró-Natureza (Funatura), a Universidade Livre do Meio Ambiente (Unilivre) e o Instituto Comunidade, Clima e Carbono (Instituto C3). Os projetos terão prazo de execução de até 48 meses e serão apoiados com recursos do Fundo Socioambiental do BNDES e das instituições parceiras Grupo Energisa, Norte Energia e Fundo Vale. O edital Bacia do Rio Xingu 2 tem como foco a implementação de ações de restauração ecológica de áreas degradadas e o fortalecimento de cadeias produtivas associadas à restauração, com prioridade para iniciativas que envolvam comunidades locais, povos tradicionais e organizações que atuam nos territórios. No mínimo, metade dos recursos de cada proposta deve ser destinada diretamente às atividades de restauração de ecossistemas. “A restauração ecológica é uma agenda relevante para a adaptação climática, a conservação da biodiversidade e a recuperação de áreas degradadas. No caso do Xingu, os projetos apoiados combinam restauração, fortalecimento da cadeia produtiva e participação de organizações que atuam nos territórios. O modelo do Floresta Viva permite somar recursos do BNDES e de parceiros para ampliar a escala dessas ações e apoiar iniciativas com impacto ambiental e social concreto”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. A Bacia do Rio Xingu é uma das áreas estratégicas para a conservação da Amazônia e para a agenda brasileira de restauração. Com cerca de 1,9 mil quilômetros de extensão, o rio Xingu nasce no Cerrado e atravessa a Floresta Amazônica até desaguar no rio Amazonas. Sua bacia ocupa aproximadamente 53 milhões de hectares, abrangendo cerca de 50 municípios nos estados do Mato Grosso e do Pará, com presença de Terras Indígenas, Unidades de Conservação e comunidades tradicionais. "O apoio do Grupo Energisa à iniciativa Floresta Viva reflete nosso compromisso com a preservação dos biomas brasileiros e o desenvolvimento sustentável. A Bacia do Rio Xingu é essencial para a regulação do ciclo das águas na Amazônia e abriga dezenas de povos indígenas. Ao financiar projetos de restauração no trecho mato-grossense da bacia, contribuímos tanto para a conservação ambiental quanto para o fortalecimento das comunidades locais", explicou Tatiana Feliciano, diretora de Gestão e Sustentabilidade do Grupo Energisa. Somados os resultados dos dois editais do Floresta Viva voltados ao Xingu, a iniciativa selecionou sete projetos para a bacia, com R$ 25,6 milhões destinados diretamente às ações executadas nos territórios. O primeiro edital, lançado em 2023, selecionou quatro projetos, no valor total de R$ 20,3 milhões, que já estão em execução. “Para a Norte Energia, atuar na Bacia do Rio Xingu vai muito além de gerar energia limpa e renovável para o país. O apoio da companhia a este edital do Floresta Viva demonstra o nosso compromisso com a sustentabilidade e proteção da Amazônia, a partir do fortalecimento da economia local, da preservação da biodiversidade e da valorização do conhecimento das comunidades locais e dos povos tradicionais no entorno da Usina Belo Monte", afirma o CEO da Norte Energia, Luiz Eduardo Osorio. “Apoiar a restauração é também fortalecer as condições para que essa agenda avance de forma consistente: com soluções financeiras inovadoras, organizações fortalecidas, conhecimento aplicado e participação de quem vive nos territórios. É essa visão de longo prazo que orienta o apoio técnico e financeiro do Fundo Vale ao programa Floresta Viva”, afirma Patrícia Daros, diretora do Fundo Vale. O Floresta Viva é operacionalizado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO), parceiro gestor selecionado por chamada pública. O FUNBIO é responsável pela organização dos editais, recebimento dos recursos do BNDES e dos parceiros, repasse às instituições executoras, acompanhamento técnico-financeiro dos projetos e monitoramento dos resultados. “O edital foi estruturado para apoiar iniciativas que reforcem a cadeia produtiva da restauração ecológica na bacia do Rio Xingu, uma das regiões mais importantes sob o ponto de vista da conservação ambiental da Amazônia. Os projetos selecionados combinam ações construídas a partir da realidade dos territórios, que engajam e beneficiam diretamente as pessoas que vivem em Terras Indígenas, Unidades de Conservação e comunidades tradicionais. Isso cria oportunidades sustentáveis para quem vive, produz e protege esses territórios, melhora a sua qualidade de vida e, ao mesmo tempo, contribui para a conservação”, afirma Manoel Serrão, superintendente de Programas do FUNBIO. “A restauração ecológica envolve um conjunto de etapas que vai além do plantio de árvores, incluindo coleta de sementes, produção de mudas, assistência técnica, monitoramento e fortalecimento das organizações locais. Os projetos selecionados no Xingu reforçam essa abordagem integrada, com ações adaptadas às características do território e voltadas à recuperação ambiental e ao fortalecimento da cadeia da restauração”, destacou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello. Até o momento, o Floresta Viva lançou 16 editais, com perspectiva de lançamento de mais dois. A iniciativa já selecionou 79 projetos e tem perspectiva de apoiar até 137 projetos, com previsão de restauração de mais de 10.760 hectares. O aporte total do BNDES soma R$ 243,8 milhões e, com os recursos mobilizados junto a 15 instituições apoiadoras, os investimentos totais chegam a R$ 487,6 milhões. Entre os editais já lançados estão Manguezais do Brasil, voltado à recuperação de manguezais e restingas; Amazonas, para restauração em unidades de conservação no estado; Bacia do Rio Xingu e Bacia do Rio Xingu 2, no Pará e em Mato Grosso; Corredores de Biodiversidade, no Cerrado e na Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai; Conectando Paisagens e Conectando Paisagens 2, na Mata Atlântica entre Bahia e Espírito Santo; Sudeste do Paraná, na Mata Atlântica no estado do Paraná; Caatinga Viva, voltado a unidades de conservação e municípios do semiárido; Florestas do Rio e Florestas do Rio 2, em bacias hidrográficas do Estado do Rio de Janeiro; Terras Indígenas, em Mato Grosso, Tocantins e Maranhão; Pantanal, na Bacia do Alto Paraguai, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; Águas do Beberibe, em Pernambuco; Águas do Paranaíba, em Goiás e Minas Gerais; e Bacia do Rio Parnaíba – Piauí. Com esse conjunto de ações, o Floresta Viva está presente em 19 estados brasileiros. Floresta Viva – A iniciativa Floresta Viva apoia projetos de restauração ecológica e produtiva com espécies nativas em todos os biomas brasileiros, além do fortalecimento da cadeia produtiva da restauração e de sistemas agroflorestais. A iniciativa opera no modelo de matchfunding, em que os recursos do Fundo Socioambiental do BNDES (não reembolsáveis) são combinados com aportes de parceiros públicos e privados, ampliando a escala dos investimentos. BNDES Florestas – O Floresta Viva integra o BNDES Florestas, iniciativa que reúne as ações do Banco no setor florestal, como instrumentos de crédito, recursos não reembolsáveis e investimentos em participação para restauração ecológica, conservação, bioeconomia e geração de ativos ambientais. São R$ 14,1 bilhões mobilizados para o plantio de 342 milhões de árvores, geração de 86 mil empregos verdes e remoção de 66 milhões de toneladas de CO₂ equivalente da atmosfera.
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Travessia Guadakan recebe visitantes para percorrer a Serra do Amolar
Em meio às montanhas da Serra do Amolar, na divisa entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e na fronteira com a Bolívia, uma nova trilha de longo curso percorre e conecta diferentes paisagens e aspectos culturais da região. É a Travessia Guadakan, percurso de cerca de 30 km implementado pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP) com o apoio do GEF Terrestre, que recebeu representantes do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática (MMA), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Ministério do Turismo para uma press trip entre os dias 5 e 11 de agosto. A atividade marcou o encerramento da parceria entre a instituição e o projeto, que ampliou as ações de manejo da trilha enraizada no coração do Pantanal, que ainda está em implementação e que, em breve, será aberta ao público. O nome da trilha traz uma forte representação do bioma e da localidade em que está inserida: “Guadakan” significa “Pantanal” na língua Guató, idioma falado pela comunidade indígena, de mesmo nome, que é conhecida também como “povo canoeiro” e ocupa o território há mais de 5 mil anos. De um dos pontos do caminho, que chega a cerca de mil metros de altitude, é possível ver a Aldeia Guató Uberaba, localizada na Ilha Ínsua. A trilha foi construída em diálogo com a comunidade Guató e incorpora referências à história e à presença desse povo no território. “Essa travessia significa muito para nós: principalmente resistência e força. Sentimos uma conexão com a natureza muito grande aqui. A natureza dá a mensagem que os ancestrais Guató passaram por aqui. A gente sente essa força dos guerreiros Guató e isso nos deixa muito felizes”, comemora Luiz Carlos Souza Alvarenga, cacique da Aldeia Uberaba. O apoio do GEF Terrestre foi crucial no aperfeiçoamento da trilha nos últimos 18 meses. A travessia integrou a chamada 05/2024, que previa a criação e implementação de trilhas de longo curso na Caatinga, Pampa e Pantanal. Com os recursos recebidos, o IHP realizou ações de manejo relacionadas à adequação do percurso para a regularização junto ao MMA e a Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade – RedeTrilhas, inserida no Programa Nacional de Conectividade de Paisagens - CONECTA. A trilha também pode ser utilizada como rota de acesso a áreas remotas da Serra do Amolar, formação montanhosa com 80 quilômetros de extensão e formada pelos últimos eventos de soerguimento da Cordilheira dos Andes, há cerca de 2,5 milhões de anos. “A Travessia Guadakan conecta as pessoas à ancestralidade presente no território. Ela desempenha um papel estratégico no combate a incêndios florestais em áreas remotas e permite o acesso de brigadas, como a Brigada Alto Pantanal, mantida pelo IHP”, explica Angelo Rabelo, presidente do instituto.
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Publicações sobre restauração ecológica na Caatinga, Pampa e Pantanal são apresentadas na SOBRE 2026
Na última semana de julho, representantes de projetos apoiados e a equipe do GEF Terrestre participaram da VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica – SOBRE2026. O evento, que aconteceu na Universidade de Brasília (UnB), reuniu pesquisadores, financiadores, povos e comunidades tradicionais e proporcionou debates sobre a restauração ecológica no Brasil. Dentro da programação, os resultados obtidos pelo GEF Terrestre foram apresentados no simpósio “Referenciais teóricos e práticos de restauração ecológica nos biomas Caatinga, Pantanal e Pampa”, que reuniu cerca de 150 pessoas. Na ocasião, as publicações desenvolvidas pelas organizações de cada um dos biomas apoiados pelo projeto também foram divulgadas. Rodolfo Marçal, gerente do GEF Terrestre no Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO); Pedro Sena, biólogo e representante da Rede para restauração da Caatinga (ReCaa), Cátia Nunes, professora da Universidade Federal de Mato Grosso e pesquisadora de áreas úmidas; e Ana Rovedder, professora da Universidade Federal de Santa Maria e representante da Rede Sul de Restauração Ecológica fizeram as apresentações, que tiveram a mediação de Vivian Saddock, integrante da gerência do projeto no FUNBIO. Marçal compartilhou dados e lições aprendidas nos anos de execução do GEF Terrestre, apresentando um balanço das ações desenvolvidas e dos resultados observados nos três biomas apoiados pelo projeto. Em seguida, os convidados apresentaram três publicações, uma para cada bioma, contendo referenciais teóricos para a restauração e protocolos de monitoramento. O desenvolvimento destas publicações foi feito pelas redes de restauração de cada bioma, com o apoio do GEF Terrestre por meio da contratação de consultorias especializadas que auxiliaram na elaboração do conteúdo técnico, diagramação e impressão das publicações. Para Pedro Sena, a publicação desempenha um papel fundamental na restauração da Caatinga. “É um documento pioneiro, que organiza formas de monitorar o bioma e traz valores de referência e metodologias para a recuperação da fauna e flora”, celebra. “É um material que será usado por técnicos, governos e por pesquisadores para monitorar e organizar o arcabouço das áreas de restauração da Caatinga”, avalia. Os participantes receberam as versões impressas das três publicações desenvolvidas: “Referencial Teórico para a Restauração e Protocolo de Monitoramento da Restauração da Caatinga”, “Recuperação do Pantanal – Um guia prático para a restauração ecológica”, e “Bases teóricas e práticas da restauração ecológica no bioma Pampa”. “Esses materiais foram construídos para serem bases orientadoras, oferecendo protocolos de monitoramento, com indicadores e valores de referência específicos que vão ajudar as instituições locais na avaliação dos processos de restauração ecológica em cada bioma”, explica Vivian. O GEF Terrestre ainda apoiou a ida de cerca de 75 pessoas, que atuam em instituições apoiadas pelo projeto, para a conferência.
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