Floresta Viva
Restauração ecológica dos biomas brasileiros com recursos do Fundo Socioambiental do BNDES e de instituições apoiadoras
FINACLIMA-SP
Mecanismo que viabiliza aportes de recursos privados, para ampliar e qualificar o financiamento climático no território paulista
AMAZÔNIA VIVA
Mecanismo de Financiamento Amazônia Viva fortalece organizações, negócios e a cadeias da sociobiodiversidade

Legado de Gustavo Fonseca inspira e fortalece pesquisadores brasileiros
Pesquisadores do Bolsas FUNBIO – conservando o futuro apoiados pelo Fonseca Leadership Program relatam como o incentivo foi fundamental para viabilizar o trabalho de campo, gerar conhecimento e fortalecer a conservação da biodiversidade. Desde 2023, o Bolsas FUNBIO – Conservando o Futuro recebe o apoio do Fonseca Leadership Program, iniciativa do Global Environmental Facility (GEF). O programa é uma homenagem ao biólogo, professor da Universidade Federal de Minas Gerais e ativista brasileiro Gustavo Fonseca, que por décadas defendeu a pauta ambiental e o fortalecimento da conservação da biodiversidade no Brasil e no mundo. Dos 251 pesquisadores selecionados pelo Bolsas FUNBIO, 36 integram o grupo apoiado pela iniciativa no país. Durante a COP17 da Convenção sobre Diversidade Biológica, na Armênia, o Fonseca Leadership Program promoveu um encontro com bolsistas e representantes de entidades parceiras presentes à conferência. Realizado no dia 27 de outubro, o evento celebrou o fortalecimento de uma rede internacional de profissionais comprometidos com a conservação, além de manter vivo o legado de Gustavo Fonseca e seus valores de colaboração, liderança e inovação. Reunimos depoimentos de oito pesquisadores brasileiros que compartilharam como o apoio do programa foi decisivo para transformar ideias em pesquisa e hipóteses em resultados concretos. Os recursos viabilizaram a realização de atividades de campo e a presença nos territórios estudados, etapas essenciais para a produção de conhecimento científico e o avanço da ciência. Confira. Depoimentos: Com o apoio do Fonseca Leadership Program, minha principal conquista foi realizar uma expedição de coleta e conduzir o primeiro experimento da minha pesquisa sobre os efeitos da oxibenzona, ingrediente de alguns protetores solares, em larvas do coral Favia gravida. Também iniciei o cultivo de células de corais adultos expostos ao composto. Os experimentos utilizam concentrações encontradas em recifes brasileiros, aproximando a pesquisa das condições às quais esses animais podem estar expostos na natureza. Esse apoio tornou possível avançar na investigação de como a oxibenzona pode afetar o desenvolvimento e a saúde dos corais, incluindo a formação de seu esqueleto. Ao gerar conhecimento sobre uma espécie presente no Brasil, a pesquisa contribui para preencher uma lacuna científica e poderá subsidiar decisões sobre o uso desse composto e a proteção dos nossos recifes. Ana Chiovatto | doutoranda UFRGS. Programa Bolsas FUNBIO | Fonseca Leadership Program | edição 2025 Minha principal conquista com o apoio do Fonseca Leadership Program foi contribuir para a ampliação do conhecimento científico sobre a Caatinga, um bioma de biodiversidade singular e de grande importância ecológica. Por meio de pesquisas realizadas na Floresta Nacional de Açu, no Rio Grande do Norte, buscamos compreender as interações entre a vegetação e a atmosfera, especialmente o papel desse ecossistema nas trocas de carbono, água e energia. Mais do que produzir conhecimento científico, essa experiência reforçou a importância de valorizar e conservar a Caatinga, sobretudo diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas. Acredito que compreender o funcionamento dos ecossistemas é fundamental para desenvolver estratégias eficazes de conservação e proteção da biodiversidade. O apoio do programa fortaleceu minha formação como pesquisador e, principalmente, meu compromisso de contribuir para um futuro em que a ciência e a conservação ambiental caminhem juntas. Agradeço novamente pelo apoio e pela oportunidade de fazer parte dessa iniciativa. - Daniel Felipe |Doutorando UFRN. Programa Bolsas FUNBIO | Fonseca Leadership Program | edição 2024 Fazer pesquisa na Amazônia é um enorme desafio, especialmente pelas dificuldades logísticas e pela limitação de recursos para desenvolver essas atividades de campo e laboratório. Como pesquisadora amazônida, vivencio essa realidade e reconheço o quanto o apoio do FUNBIO por meio do Fonseca Leadership Program, do programa Bolsas FUNBIO – Conservando o futuro, foi essencial para minha pesquisa de doutorado com o pirarucu, o maior peixe de escamas de água doce do mundo. O financiamento possibilitou realizar as campanhas de coleta de amostras na Bacia Amazônica e a aquisição de materiais e equipamentos para as análises laboratoriais na Universidade Federal do Amazonas. Com esse suporte, consegui avançar nas etapas experimentais no Brasil e dedicar parte do meu doutorado-sanduíche na Virginia Tech (EUA) à análise dos dados e a elaboração do primeiro capítulo da minha tese. Esse apoio representa não apenas recursos financeiros, mas a oportunidade de transformar um projeto científico em realidade, fortalecendo minha formação e meu compromisso com a ciência e com as comunidades amazônicas. Eletuza Uchôa Farias |Doutoranda na UFAM. Programa Bolsas FUNBIO | Fonseca Leadership Program | edição 2024 O apoio do Bolsas FUNBIO tem sido fundamental para minha pesquisa de doutorado em Geografia, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), sobre árvores endêmicas do Centro de Endemismo Pernambuco, na Mata Atlântica. Entre os avanços, destaco a organização e validação de registros geográficos e o desenvolvimento da modelagem de distribuição potencial. O financiamento viabiliza uma etapa especialmente importante: a validação dos modelos em campo, ainda pouco frequente em estudos dessa natureza. Essa investigação permitirá verificar a correspondência entre áreas projetadas como potencialmente adequadas e a presença das espécies, avaliando as previsões e ampliando o conhecimento sobre sua distribuição. Paralelamente, minha participação no Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE/CAPES), na Universidad Tecnológica Metropolitana (UTEM), no Chile, ampliou as abordagens metodológicas para investigar os impactos das mudanças climáticas e a reorganização espacial das áreas adequadas. Esses avanços fortalecem a pesquisa e suas contribuições à conservação da biodiversidade. Essia de Paula Romão-Torres |Doutoranda em Geografia UFPE . Programa Bolsas FUNBIO | Fonseca Leadership Program | edição 2023 O apoio do Fonseca Leadership Program foi decisivo para viabilizar os trabalhos de campo do meu doutorado, voltado à restauração dos campos naturais do Primeiro Planalto Paranaense. Esses ambientes fazem parte da paisagem original da região de Curitiba e abrigam uma biodiversidade ainda pouco conhecida e valorizada. Diante dos altos custos do trabalho de campo, sem a bolsa o projeto precisaria ser bastante reduzido. Minha principal conquista foi conseguir implantar os experimentos de restauração na dimensão planejada. O recurso permitiu adquirir equipamentos para o manejo das áreas, como motosserra e roçadeira, e materiais para instalar as parcelas permanentes, além de custear transporte e alimentação em campo. Esse apoio permitiu realizar levantamentos com mais frequência e ampliar a coleta de dados, contribuindo para a pesquisa sobre a recuperação desses ecossistemas, hoje muito reduzidos na região. Hauane da Silva Correa | Doutoranda UFPR. Programa Bolsas FUNBIO | Fonseca Leadership Program | edição 2025 Sou bióloga, pesquisadora do Programa de Conservação Mamíferos do Cerrado e doutoranda pelo PPG em Ecologia, Conservação e Biodiversidade da Universidade Federal de Uberlândia. O apoio do FUNBIO – Conservando o Futuro foi essencial para a instalação de 100 pontos de armadilhas fotográficas em cinco regiões de Goiás, com o intuito de registrar a onça-parda (Puma concolor) e assim compreendermos como a espécie usa os ambientes disponíveis, quantos indivíduos compõem as populações, e prever potenciais pontos de conexões populacionais na paisagem. O apoio do FUNBIO me permitiu coletar esses dados, conhecer paisagens, pessoas e culturas incríveis por Goiás, e graças a esse apoio agora estou na Universidade Estadual do Colorado, em Fort Collins (EUA), realizando as análises desses dados. Após a obtenção dos resultados, estes serão apresentados a tomadores de decisão e assim poderão auxiliar no delineamento de ações para conservação de grandes carnívoros em Goiás. Juliana Pasa | Doutoranda UFU. Programa Bolsas FUNBIO | Fonseca Leadership Program | edição 2023 Sou imensamente grata à bolsa do FUNBIO – Conservando o Futuro e ao Fonseca Leadership Program, iniciativa do Global Environmental Facility (GEF), pela ajuda em minha pesquisa. Sem o apoio financeiro de vocês esse lindo trabalho não seria possível. Tenho muito orgulho dos frutos da minha dissertação de mestrado e será o maior prazer sempre divulgar o quanto vocês foram essenciais para essa etapa. Em minha pesquisa, investiguei como maçaricos e batuíras, aves limícolas migratórias, fazem segregação de nicho trófico em uma escala espaço-temporal, ou seja, pesquisei a fundo como essas espécies que fazem uso e compartilham os mesmos recursos do ambiente se organizam para poderem coexistir. A bolsa foi completamente essencial para a minha pesquisa, e um grande incentivo para uma pesquisadora em início de carreira. Estímulos como o da bolsa fazem a ciência avançar e jovens pesquisadores se especializarem cada vez mais. Hoje em dia estou no doutorado, aprofundando ainda mais o conhecimento nessa temática, e espero que consiga retribuir para à sociedade e também para a conservação dessas espécies de aves, que mesmo que não visivelmente, fazem parte de um equilíbrio ecológico importante também para nós seres humanos. Tamires Pereira Lima | Mestranda UFRN. Programa Bolsas FUNBIO | Fonseca Leadership Program | edição 2024 O apoio do Bolsas FUNBIO - Conservando o Futuro ampliou nosso conhecimento sobre a distribuição e o uso do espaço por aves marinhas no Nordeste brasileiro. Em 2026, fortalecemos as campanhas de captura e marcação, explorando novas áreas e espécies de trinta-réis. O financiamento viabilizou a instalação de transmissores GPS em trinta-réis-róseos (Sterna dougallii) e, de forma inédita no Nordeste, em trinta-réis-de-bando (Thalasseus acuflavidus), ambas ameaçadas de extinção no Brasil. Os dados do trinta-réis-róseo revelam deslocamentos diários de 30 a 80 km entre dormitórios costeiros e áreas oceânicas de alimentação no Rio Grande do Norte. Identificamos que cerca de 85% das áreas planejadas para eólicas offshore no estado se sobrepõem à distribuição diurna da espécie. Esses resultados revelam habitats críticos e áreas de deslocamento essenciais para orientar o planejamento espacial marinho, o licenciamento ambiental e a adoção antecipada de medidas para prevenir e mitigar impactos sobre aves marinhas. Rafael Ângelo Revorêdo |Doutorando UFRN. Programa Bolsas FUNBIO | Fonseca Leadership Program | edição 2025
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Programas da Agência GEF FUNBIO levam sociobiodiversidade e gestão indígena à COP17
Baru Chapada e Ywy Ipuranguete serão apresentados em debates sobre conservação do Cerrado, proteção territorial indígena e geração de renda para comunidades locais. Dois programas implementados pela Agência GEF FUNBIO com execução do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), serão tema de debates na 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU (COP17), que acontece de 19 a 30 de outubro, na Armênia. Nesta terça, dia 20, o destaque será o Baru Chapada, iniciativa de fortalecimento da sociobiodiversidade como instrumento de conservação do Cerrado e de geração de renda para comunidades locais. Na quarta, 21, será a vez do Ywy Ipuranguete, programa de fomento às ações de proteção, conservação e uso dos recursos ambientais das terras indígenas no Brasil. Na mesa de terça-feira (20), participam do debate Fablina Tremembé, do Conselho Indígena Tremembé de Itapipoca (CITI), entidade que atua na defesa dos direitos territoriais, culturais e socioambientais; Leosmar Antônio Terena, do Coletivo Ambientalista Indígena de Ação para Natureza, Agroecologia e Sustentabilidade (Caianás); e Carlos Kalunga, liderança do maior território quilombola do país. Em pauta, como o fruto nativo do Cerrado utilizado em produtos como óleos, farinhas e doces, pode garantir a segurança alimentar de comunidades tradicionais e auxiliar na conservação do bioma. O programa Baru do Cerrado fomenta boas práticas agrícolas e o manejo sustentável do superalimento, que vem ganhando mercado mundo afora pelo seu alto valor nutricional. A iniciativa apoia a estruturação da cadeia produtiva da castanha em aproximadamente 374 mil hectares do bioma, nos estados de Goiás e Tocantins. Na quarta-feira (21), Fablina Tremembé (CITI) e Leosmar Antônio Terena (Caianás) voltam a se encontrar para conversar sobre os Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) e sua importância para o fortalecimento dos povos indígenas. Além de orientar o planejamento e a gestão dos territórios, os PGTAs contribuem para a proteção ambiental, o combate ao desmatamento e o fortalecimento da resiliência climática das comunidades. O Ywy Ipuranguete apoia a elaboração e a implementação desses planos, promovendo a autonomia dos povos indígenas, a valorização dos conhecimentos tradicionais e o desenvolvimento de ações alinhadas às necessidades e prioridades de cada território. Com recursos oriundos do Fundo do Marco Global para a Biodiversidade (GBFF) e do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), o Ywy Ipuranguete (“Terra bonita” em tupi-guarani) irá beneficiar nove povos indígenas - Pataxó, Pataxó Hã-Hã-Hãe, Tremembé, Kayapó, Munduruku, Terena, Kadiwéu, Guarani-Kaiowá e Pankararu. A iniciativa alcança um território de aproximadamente seis milhões de hectares, distribuídos em cinco biomas brasileiros, contribuindo para o fortalecimento da gestão territorial, a proteção ambiental e a valorização dos modos de vida tradicionais. Durante o evento, será exibido o vídeo Guardians of the land: indigenous-led conservation in Brazil. Gravado por uma equipe do GEF em uma aldeia Tremembé no Maranhão, o vídeo destaca a importância da iniciativa para o fortalecimento do protagonismo indígena na conservação da biodiversidade e na gestão de seus próprios territórios.
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Floresta Viva anuncia novo ediatal para restauração vegetal e revitalização hídrica no São Francisco
O Edital Águas do São Francisco vai destinar R$ 20 milhões para ações de restauração ecológica da vegetação nativa e revitalização dos recursos hídricos nas áreas de influência dos reservatórios das usinas hidrelétricas de Sobradinho e Itaparica, na região entre os estados da Bahia e de Pernambuco. A iniciativa foi aprovada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no âmbito da iniciativa Floresta Viva, após aprovação prévia pelo Comitê Gestor da Conta do Programa de Revitalização dos Recursos Hídricos das Bacias Hidrográficas do Rio São Francisco e do Rio Parnaíba (CPR São Francisco e Parnaíba). Serão selecionados projetos com área mínima de 100 hectares para restauração, o equivalente a cerca de 140 campos de futebol. Dos R$ 20 milhões, R$ 10 milhões serão provenientes da CPR São Francisco e Parnaíba e R$ 10 milhões do BNDES. O edital tem como objetivo a recuperação de áreas estratégicas para a segurança hídrica e energética, a revitalização dos recursos hídricos, com foco na recarga das vazões afluentes, e ampliar a resiliência ambiental dos territórios. A área de abrangência contempla 25 municípios na área do reservatório da UHE Sobradinho e 19 municípios na área do reservatório da UHE Itaparica. Entre os 44 municípios contemplados estão Juazeiro, Paulo Afonso, Jacobina, Irecê, Campo Formoso, Casa Nova, Xique-Xique e Sobradinho. “A recuperação das bacias hidrográficas é estratégica para o desenvolvimento do país. Este edital une restauração florestal e segurança hídrica, recuperando áreas degradadas e contribuindo para proteger a água, a biodiversidade e a geração de energia. É uma agenda que também envolve oportunidades de trabalho e renda nos territórios e mostra que a recuperação ambiental pode caminhar junto com o desenvolvimento econômico”, afirmou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello. O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, destacou que o projeto de transposição do Rio São Francisco desenvolvido pela pasta deve estar articulado com ações de conservação. "É preciso cuidar da nascente e do leito, que é onde o rio ganha força para chegar no Nordeste em condições de cumprir a missão sagrada com o povo do semiárido", afirmou. Já o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou a importância da bacia do São Francisco para a segurança hídrica e energética do país. "O rio e seus reservatórios desempenham papel estratégico na geração de energia elétrica e no equilíbrio dos múltiplos usos da água. A conservação e a recuperação dessas áreas fortalecem a resiliência hídrica, protegem um recurso essencial para milhões de brasileiros e contribuem para o desenvolvimento sustentável da região e do Brasil”, acrescentou. Recursos da desestatização da Eletrobras – Os recursos da CPR São Francisco e Parnaíba têm origem nos compromissos estabelecidos no processo de desestatização da Eletrobras, atual AXIA Energia. A Lei nº 14.182/2021 estabeleceu o repasse anual de recursos para Programas de Recuperação dos Recursos Hídricos ao longo de 10 anos, que totalizam R$ 3,5 bilhões no São Francisco e Parnaíba, e R$ 2,3 bilhões na área de influência de Furnas. Os valores têm origem na outorga paga pela empresa à União e sua aplicação é definida pelo Governo Federal, por meio de Comitês Gestores. O Comitê Gestor da CPR São Francisco e Parnaíba é responsável por definir as ações que receberão os recursos e acompanhar sua execução e aplicação. Cabe à AXIA Energia implementar as ações aprovadas. O Comitê é presidido pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), que também exerce a função de Secretaria-Executiva. O colegiado conta ainda com representantes da Casa Civil da Presidência da República e dos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), de Minas e Energia (MME), da Agricultura e Pecuária (MAPA) e das Cidades, além da Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema). Restauração, água e desenvolvimento – A Usina Hidrelétrica de Itaparica, também denominada Luiz Gonzaga, está localizada na divisa entre Bahia e Pernambuco. Seu reservatório tem cerca de 11 bilhões de metros cúbicos de água e contribui para a geração de energia, irrigação e pesca. Já Sobradinho, no rio São Francisco, além da função de geração de energia elétrica, exerce papel relevante na regularização dos recursos hídricos da região. Além da recuperação da vegetação, os projetos deverão contribuir para melhorar a quantidade e a qualidade da água, conservar a biodiversidade, mitigar as mudanças climáticas e ampliar a oferta de serviços ecossistêmicos. O edital também prevê o fortalecimento da cadeia produtiva da restauração, com capacitação profissional em atividades como produção de sementes e mudas nativas, plantio, monitoramento e manejo adaptativo. O engajamento e a participação das comunidades e povos locais serão considerados prioritários. A expectativa é que o fortalecimento da cadeia produtiva gere alternativas econômicas sustentáveis e integre comunidades locais, produtores rurais e empreendedores ao processo de restauração. As ações poderão incluir capacitação em técnicas de restauração e produção de sementes e mudas de espécies nativas. “O edital Águas do São Francisco promove a restauração da vegetação nativa em áreas estratégicas da Caatinga, bioma que está sob forte pressão do avanço da desertificação e da degradação da terra. Recuperar essas áreas e ecossistemas protege nascentes e solos de que dependem as populações locais. Ganhar escala e perenidade na restauração passa também por parcerias com as comunidades locais e o setor privado”, afirmou o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco. Os projetos terão prazo de execução de até 48 meses. A implementação das ações de restauração deverá ser concluída nos primeiros 24 meses, garantindo período mínimo de outros 24 meses para manutenção e monitoramento das áreas restauradas. Seleção e acompanhamento – As inscrições estão abertas até 2 de dezembro. Parceiro gestor do Floresta Viva, o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) é responsável pela condução da chamada pública e pelo acompanhamento dos projetos. Ele responde pela análise preliminar das propostas. Aquelas habilitadas seguirão para avaliação técnica por uma Comissão de Seleção formada por especialistas indicados pelo BNDES, AXIA Energia e FUNBIO. "O Floresta Viva uma iniciativa de matchfunding [financiamento conjunto com parceiros] dedicada à restauração ecológica no país e reúne recursos em escala com contribuições bem definidas para a NDC Brasileira [metas climáticas assumidas pelo Brasil no Acordo de Paris]. No São Francisco, esses investimentos têm foco na restauração da vegetação das bacias hidrográficas, envolvendo ganhos para a quantidade e na qualidade da água, criação de corredores e empregos verdes. A chamada vai selecionar organizações que conheçam o território e tenham capacidade técnica para o alcance dos resultados previstos", disse Manoel Serrão, superintendente de Programas do Funbio. Floresta Viva – Criado pelo BNDES, o Floresta Viva combina recursos não reembolsáveis do Banco com aportes de instituições públicas e privadas para apoiar projetos de restauração ecológica com espécies nativas e sistemas agroflorestais nos biomas brasileiros. Os projetos são selecionados por chamadas públicas e executados por organizações com atuação nos territórios. Já foram selecionados 84 projetos, com potencial para restaurar mais de 11,2 mil hectares em praticamente todos os biomas brasileiros, além de manguezais e restingas. A iniciativa conta com 15 instituições apoiadoras e já foram celebrados contratos que somam mais de R$ 223 milhões em doações de parceiros, totalizando R$ 446 milhões em aportes para restauração. O Floresta Viva integra o BNDES Florestas, estratégia que articula diferentes instrumentos financeiros com foco na restauração ecológica e no desenvolvimento da cadeia produtiva florestal no país. A estratégia já mobilizou R$ 14,6 bilhões, equivalentes ao plantio de 354 milhões de árvores e à recuperação de mais de 212 mil hectares, com previsão de geração de 89 mil empregos verdes. Programa de Aceleração do Crescimento – As ações de revitalização de bacias hidrográficas foram incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para identificação e superação de gargalos da execução, articulação de entes envolvidos e monitoramento para transparência à sociedade e aos órgãos de controle. “O edital prevê investimentos para recuperação hidroambiental, controle da poluição e ampliação da oferta de água para usos múltiplos”, disse o secretário Adjunto de Infraestrutura Hídrica da Casa Civil, Irani Braga.
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