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Home - Notícias - A resposta das plantas à seca e ao fogo nos campos de altitude

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11/06/2026

A resposta das plantas à seca e ao fogo nos campos de altitude

Foto: Anna Luzia Ehms/FUNBIO
Foto: Anna Luzia Ehms/FUNBIO
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Nos campos de altitude do Parque Nacional do Itatiaia, no estado do Rio de Janeiro, o clima muda em questão de horas. O dia pode começar com sol forte, vento seco e calor sobre as plantas e, de repente, ser tomado por neblina, frio e umidade. É nesse ambiente de extremos que Anna Luzia Ehms, mestranda da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), investiga como a vegetação responde a dois elementos cada vez mais importantes: o fogo e a seca.

Sua pesquisa foi selecionada em 2025 pelo Programa Bolsas FUNBIO – Conservando o Futuro, por meio do Programa Fonseca de Liderança, do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). O trabalho busca entender como plantas que já vivem sob condições climáticas extremas conseguem se recuperar depois de um incêndio e se as características que as ajudam a suportar o estresse climático também favorecem sua resposta ao fogo.

“Uma das principais características dos campos de altitude é justamente a sazonalidade e a instabilidade”, explica Anna. “Você está lá, está um solzão, superseco, vento para caramba, sol torrando nas plantas. E aí, do nada, entra uma neblina, começa a ficar superfrio e fica úmido”, explica a pesquisadora.

O estudo nasceu de uma “oportunidade” inesperada. O Laboratório de Ecologia Vegetal da UERJ, onde Anna desenvolve sua pesquisa, já monitorava havia quase dez anos uma área de campos de altitude no Itatiaia. O objetivo era compreender como as plantas lidam com a instabilidade climática típica desse ambiente. Em 2024, porém, um incêndio atingiu cerca de 300 hectares do parque nacional e queimou parte da área que já vinha sendo acompanhada pelos pesquisadores.

A tragédia abriu uma nova pergunta científica. “A gente já tinha esses dados. Pegou fogo lá e a gente falou: como essas plantas vão voltar?”, lembra Anna. Um mês depois do incêndio, a equipe retornou ao campo e encontrou a vegetação novamente verde. Mas quais plantas estavam voltando? O fogo havia alterado a composição da vegetação? De alguma forma esse fogo alterou a capacidade dessas espécies de lidar com a seca, deixando alguma espécie mais vulnerável?

Para responder a essas perguntas, a pesquisa compara áreas queimadas e não queimadas em diferentes momentos do ano, incluindo estações secas e chuvosas. O trabalho analisa espécies dominantes dos campos de altitude, como Cortaderia modesta, Chusquea pinifolia e Machaerina ensifolia. Em campo, ela mede características funcionais das plantas, incluindo atributos morfológicos, fisiológicos e hidráulicos, ou seja, aspectos que ajudam a descrever como cada espécie usa a água, tolera a desidratação e se recupera após o fogo.

A previsão para a região, com as mudanças climáticas, é que haja uma intensificação da sazonalidade com chuvas mais concentradas e períodos secos mais severos.

Hoje, o fogo no Parque Nacional do Itatiaia está fortemente associado a causas antrópicas. Em um cenário de mudanças climáticas, com secas mais intensas e maior acúmulo de biomassa seca, incêndios acidentais ou criminosos podem se espalhar com mais força. Por isso, os resultados do estudo podem contribuir para discussões sobre Planos de Manejo Integrado do Fogo e a melhor estratégia para as queimas prescritas controladas para evitar que novos incêndios se espalhem.

O apoio do Programa Bolsas FUNBIO tem sido central para a pesquisadora viabilizar essa presença constante em campo, custeando deslocamentos, materiais básicos e a participação de uma equipe de apoio nas atividades no parque. Para uma pesquisa que depende de medições frequentes, em diferentes estações, esse suporte garante continuidade e qualidade aos dados coletados.

“Está permitindo que eu consiga fazer tudo de forma tranquila, sem esse estresse financeiro, convocando a equipe que eu preciso convocar para subir quase todo mês e fazer todas as minhas medidas lá”, compartilha.

Ao investigar como o fogo e a seca interagem nos campos de altitude, Anna olha para um ambiente que funciona como sentinela das mudanças climáticas. Entender a resistência e os limites dessas plantas é também uma forma de antecipar riscos, orientar decisões de manejo e conservar paisagens raras, antigas e sensíveis, onde cada resposta da vegetação ajuda a contar uma parte do futuro climático das montanhas brasileiras.

Categoria: Não categorizado

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