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CONSERVAÇÃO DA TONINHA

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Notícias

29/09/2026

Dia da Toninha

Foto: Federico Sucunza
1/20

Todo ano, 1° de Outubro é a data em que o Brasil celebra o Dia da Toninha. E apesar de ainda figurar como o golfinho mais ameaçado do Atlântico Sul, nos últimos tempos a espécie ganhou holofotes que podem ajudar a virar este jogo. Começava em 2015 o maior esforço coordenado já feito sobre a Pontoporia blainvillei em território nacional: de forma inédita, o Projeto Conservação da Toninha promoveu uma grande integração de atores científicos, gestores públicos e organizações da sociedade civil que voltaram seus olhos simultaneamente para toda a área de distribuição do animal no país.

Com uma rede mobilizada do Rio Grande do Sul ao Norte do Espírito Santo, foram sete anos de trabalho ininterrupto. Uma verdadeira força-tarefa por terra, céu e mar: mais de 100 pesquisadores dedicados, cerca de 20 instituições envolvidas, aproximadamente 120 horas de sobrevoos e outras tantas de produção e análise de dados para compreender melhor qual é o cenário das toninhas hoje, e como protegê-las de forma mais eficiente. O projeto foi encerrado oficialmente em 2022. Mas seus legados continuam reverberando até hoje.

E não só no Brasil. A robustez dos dados produzidos durante o Conservação da Toninha deu subsídios para que a Comissão Baleeira Internacional (IWC, em inglês) atualizasse o Conservation and Management Plan (Plano de Conservação e Manejo) da espécie. E ainda este ano, a IWC irá realizar um workshop internacional dedicado às toninhas. “O encontro vai avaliar a questão da mortalidade, do tamanho populacional, para estimar e discutir se há um declínio, quanto isto representa etc. E a base de dados em grande parte vem das toninhas do Brasil”, diz a bióloga Camila Domit, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Os achados do projeto também tentam influenciar a lista internacional de espécies ameaçadas (IUCN, em inglês). Um artigo publicado recentemente por pesquisadores do Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do Rio Grande do Sul (Gemars) sinaliza que uma população isolada de toninhas no Espírito Santo corre um risco maior do que se acredita. “Hoje a toninha é classificada como Vulnerável. Mas segundo os critérios da IUCN, aquela população deveria estar um grau de ameaça acima, sendo categorizada como Em perigo”, afirma o pesquisador do Gemars, Federico Sucunza. “O comitê da IUCN está avaliando para decidir se aceita nossa recomendação”.

No Brasil, os instrumentos de conservação da espécie também foram iluminados pelo Projeto Conservação da Toninha, que teve como base e diretriz as próprias metas e ações propostas pelo Plano de Ação Nacional para a Conservação da Toninha (PAN Toninha), publicado em 2012. Agora, o plano está em processo de atualização, e não será mais voltado especificamente para a espécie: as toninhas passam a figurar em um plano integrado dedicado aos pequenos cetáceos. “Todo conhecimento gerado pelo Projeto Conservação da Toninha vai dar base para se discutir as novas prioridades deste plano”, explica Camila.

Os tímidos golfinhos, portanto, estão em pauta no Brasil e lá fora. É inegável que nos últimos anos eles ganharam mais visibilidade. E isso também de forma literal: se antes os pesquisadores estavam acostumados a visualizar e fotografar apenas o animal morto, agora eles têm em mãos um amplo acervo visual de toninhas vivíssimas em seu habitat natural. Boa parte dessas fotos e vídeos – captados por drone, avião ou helicóptero ao longo do projeto – hoje integram o Museu das Toninhas, um espaço virtual que traz um oceano de informações e dados sobre a espécie.

“Reunimos informações magníficas em imagens. No museu você pode virar a toninha do avesso: ver toda a anatomia dela – interna e externa –, vê-la nadando, se alimentando… Conseguimos materializar o animal, as pessoas começaram a ver as toninhas. E isso é muito importante pois vai gerando uma empatia. Não adianta querer conservar um animal que ninguém nunca viu”, diz o oceanógrafo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), José Lailson Brito Junior, que coordenou uma iniciativa de pesquisa nos estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro.

Cada um em seu estado e em sua instituição, os cientistas que trabalharam no Projeto seguem dando continuidade a pesquisas voltadas para as toninhas. Mas de agora em diante, com mais clareza sobre as lacunas existentes e com mais certeza de que há uma ampla rede de atores com quem podem contar em seus trabalhos.

“O Projeto Conservação da Toninha de alguma forma hoje norteiam os estudos que estão em andamento. Ele foi muito relevante para fortalecer projetos que já vinham acontecendo, mas também para despertar novas iniciativas, novos conhecimentos”, diz Camila.

“Não salvamos a espécie, mas mobilizamos uma rede muito maior para manter os olhos nela. Hoje as pessoas olham e já sabem mais sobre as toninhas. Quanto mais gente envolvida, quanto mais pessoas falarem dela, maiores são as chances de ela continuar viva no mar”, diz Camila Domit.

Projetos relacionados: CONSERVAÇÃO DA TONINHA
Categoria: Não categorizado

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