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Floresta Viva seleciona executores para restaurar 460 hectares em Pernambuco
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Grupo Heineken anunciaram nesta quinta-feira, 1º, o resultado do edital Águas do Beberibe, da iniciativa Floresta Viva, que destinará R$ 9,9 milhões a três projetos para restaurar 460 hectares — área equivalente a cerca de 640 campos de futebol — na região de recarga do Aquífero Beberibe, em Pernambuco. Os projetos serão executados pelo Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN), pela Organização Sertaneja dos Amigos da Natureza (SOS Sertão) e pela Cooperativa de Trabalho Especializado em Serviços para Agricultura Familiar (Ecooterra).
A área de abrangência do edital reúne 35 municípios, em remanescentes da Mata Atlântica e na zona de transição com a Caatinga. O Aquífero Beberibe é uma das principais reservas hídricas subterrâneas do Nordeste e tem papel estratégico no abastecimento de milhões de pessoas das regiões metropolitanas do Recife e de João Pessoa. A restauração da vegetação nativa contribui para ampliar a infiltração de água no solo, reduzir processos de erosão e degradação ambiental e melhorar as condições hídricas da região.
“A restauração ecológica é uma das grandes oportunidades do Brasil na agenda climática. Com o Floresta Viva, o BNDES mobiliza recursos públicos e privados com o objetivo de recuperar áreas degradadas, fortalecer cadeias produtivas, gerar empregos verdes e proteger nossos biomas. A parceria com a Heineken demonstra a confiança do setor privado nessa agenda”, afirma a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello.
Os três projetos terão prazo de até 48 meses. O CEPAN receberá R$ 3,98 milhões para restaurar 200 hectares; a SOS Sertão, R$ 2,96 milhões para 160 hectares; e a Ecooterra, R$ 2,96 milhões para 100 hectares.
Para Breno Aguiar, executivo de sustentabilidade do Grupo Heineken Brasil, “a restauração florestal é uma das estratégias mais eficazes para ampliar a resiliência climática e hídrica dos territórios e promover a conservação dos recursos naturais. A seleção desses projetos reforça a importância de conectar diferentes parceiros em uma agenda comum, potencializando conhecimento, recursos e capacidade de execução.”
Gestão do edital – Parceiro gestor do Floresta Viva, o Funbio é responsável pela condução das chamadas públicas, processo de seleção e acompanhamento da execução dos projetos.
“O edital selecionou três organizações com atuações distintas e complementares: pesquisa aplicada, assistência técnica para comunidades rurais no sertão e trabalho com agricultura familiar. Essa atuação diversificada pode ajudar muito a responder aos desafios do território localizados entre a Mata Atlântica e a Caatinga. Esta é mais uma ação que faz do Floresta Viva a maior iniciativa de matchfunding voltada à restauração ecológica no Brasil”, afirma Manoel Serrão, superintendente de Programas do Funbio.
Floresta Viva – Criado pelo BNDES, o Floresta Viva combina recursos não reembolsáveis do Banco com aportes de instituições públicas e privadas para apoiar projetos de restauração ecológica com espécies nativas e sistemas agroflorestais nos biomas brasileiros. Os projetos são selecionados por chamadas públicas e executados por organizações com atuação nos territórios. A iniciativa opera no modelo de matchfunding, em que os recursos do Fundo Socioambiental do BNDES são combinados com aportes de parceiros públicos e privados, ampliando a escala dos investimentos.
“Proteger as áreas de recarga é uma forma de cuidar da segurança hídrica e, ao mesmo tempo, gerar oportunidades nos territórios. A restauração fortalece cadeias produtivas, cria empregos verdes, qualifica trabalhadores e gera renda local. É uma agenda que combina conservação ambiental, adaptação climática e desenvolvimento econômico”, afirma o superintendente da Área de Meio Ambiente do BNDES, Nabil Kadri.
Já foram selecionados 84 projetos, com potencial para restaurar 11.260,83 hectares em praticamente todos os biomas brasileiros, além de manguezais e restingas. A iniciativa recebeu o Prêmio Alide 2024, concedido pela Associação Latino-Americana de Instituições Financeiras de Desenvolvimento, em reconhecimento ao caráter inovador do modelo, que combina banco público de desenvolvimento, parceiro gestor, empresas, governos e organizações executoras.
Os 16 editais já lançados são: Manguezais do Brasil; Amazonas; Bacia do Rio Xingu; Corredores de Biodiversidade; Conectando Paisagens; Caatinga Viva; Sudeste do Paraná; Florestas do Rio; Conectando Paisagens 2; Bacia do Rio Xingu 2; Florestas do Rio 2; Terras Indígenas; Pantanal; Águas do Beberibe; Águas do Paranaíba; e Bacia do Rio Parnaíba – Piauí.
O Floresta Viva conta com 15 instituições apoiadoras e já foram celebrados contratos que somam mais de R$ 223 milhões em doações de parceiros, totalizando R$ 446 milhões em aportes para restauração. A iniciativa também recebeu recursos do banco alemão de desenvolvimento KfW, no montante de até € 15 milhões.
O Floresta Viva integra o BNDES Florestas, estratégia que articula diferentes instrumentos financeiros do Banco para ampliar a restauração ecológica e desenvolver a cadeia produtiva florestal no país. A estratégia já mobilizou R$ 14,6 bilhões, equivalentes ao plantio de 354 milhões de árvores e à recuperação de mais de 212 mil hectares, com previsão de geração de 89 mil empregos verdes.
A atuação combina recursos não reembolsáveis, crédito e investimentos para apoiar desde organizações e projetos locais até empreendimentos de restauração em maior escala, envolvendo uma nova economia da floresta baseada na recuperação de áreas degradadas, conservação da biodiversidade, geração de trabalho e renda e enfrentamento das mudanças climáticas.
