Notícias
Caatinga ganha cinco novas Unidades de Conservação com o apoio do GEF Terrestre
O ano de 2026 começou com boas notícias para a conservação da Caatinga no Ceará: cinco novas áreas de proteção ambiental foram criadas no norte e noroeste do estado com o apoio decisivo do GEF Terrestre. Elas somam cerca de 79 mil hectares e ajudarão a resguardar as riquezas da flora e da fauna deste bioma.
Foram criadas a Área de Proteção Ambiental (APA) Serras de Irauçuba, em Irauçuba; o Monumento Natural Furna dos Ossos, em Tejuçuoca; a APA Serras da Caatinga, em Canindé, Itatira e Santa Quitéria; a Área de Relevante Interesse Ecológico Pontal da Serra da Ibiapaba, em Graça, Pacujá e Reriutaba; e o Refúgio de Vida Silvestre Picos da Caatinga, em Canindé e Itatira.
“O apoio do GEF Terrestre nos trouxe ganhos muito significativos”, celebra Andrea Moreira, técnica da Coordenadoria de Biodiversidade da SEMA/CE. “Conseguimos criar essas áreas em regiões nas quais não tínhamos UCs. Foi muito simbólico termos essa conquista no momento em que o Sistema Estadual de Unidades de Conservação do estado completou 14 anos”, comemora. Com essas novas áreas, o Ceará atingiu a marca de 44 UCs e cerca de 270 mil hectares.
O processo de criação das Unidades de Conservação (UCs), iniciado em 2012 com o mapeamento das áreas, recebeu impulso definitivo em 2024, quando passou a receber o apoio do GEF Terrestre, que tem entre os seus objetivos a criação de áreas de proteção na Caatinga, no Pampa e no Pantanal. Com o aporte oferecido pelo projeto, a Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará (SEMA/CE) pôde realizar os estudos e outros procedimentos essenciais para o avanço e conclusão dos trabalhos.
A começar pelos estudos conduzidos durante um ano e meio pela equipe da Associação Caatinga, avaliados a partir do primeiro semestre de 2025 pelo grupo de trabalho técnico formado por membros da SEMA/CE, do Instituto de Pesquisa e Estatística (IPS) e da Universidade Federal do Ceará. Foram realizadas, então, as reuniões de consulta pública nas cidades de Graça, Tejuçuoca e Itatira, que reuniram também a população e representantes legais de outros municípios dessas regiões, como Reriutaba, Irauçuba, Canindé e Santa Quitéria.
Nessas reuniões foram apresentadas as propostas de criação das áreas protegidas à população local, que pôde tirar dúvidas e manifestar seus pontos de vista. Trata-se de um ambiente de escuta ativa e uma etapa desafiadora, conforme explica Andrea: “A gente percebeu que havia um processo de desinformação muito forte, levando a população a rejeitar a criação das UCs com receio de que elas impedissem as atividades de plantio e caça”, explica.
“Foi um processo de muito diálogo para que a gente conseguisse mostrar o valor da conservação e apresentar modelos de desenvolvimento sustentáveis que fizessem sentido para os moradores de cada região. A nossa meta é sempre apresentar uma proposta que tenha o menor impacto possível na vida da população local e, por isso, sempre fazemos ajustes no material do estudo depois dessas reuniões”, conta ela.
Após a aprovação nas reuniões de consulta pública, o decreto oficial de criação das UCs finalmente foi assinado no dia 16 de dezembro pelo Governo do Estado do Ceará. Um presente de natal para os cearenses, diretamente beneficiados pelos serviços ecossistêmicos prestados por essas áreas, que abrigam espécies ameaçadas e raras e estão localizadas em pontos chave para impedir o avanço da desertificação, processo que ocorre em áreas áridas, semiáridas e subúmidas secas.
Os esforços se voltam, agora, para a estruturação dessas cinco UCs. Serão designados gestores para cada uma das novas áreas de proteção, que formarão seus conselhos gestores e, em até cinco anos, deverão apresentar Planos de Manejo que guiarão a sua administração. Vida longa a elas!
O projeto GEF Terrestre é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) sob gestão e execução do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) e com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como agência implementadora.
