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03/07/2018

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Piloteiros passaram por testes físicos, aulas teóricas e práticas para tirar habilitação. Fotos: Bernardo Camara
Piloteiros passaram por testes físicos, aulas teóricas e práticas para tirar habilitação. Fotos: Bernardo Camara
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Áquila Araújo ainda era um garoto quando os pesquisadores começaram a aterrissar em sua comunidade, no Amazonas. Com 12 anos, já pulava no barco de rabeta para guiar os acadêmicos pelas vielas de igarapés. Agora beirando os 30, ele finalmente conseguiu tirar sua carteira de marinheiro fluvial. Pela primeira vez, vai conduzir pesquisadores e turistas com sua documentação de piloteiro em dia. “É uma forma de andar mais seguro e até de arrumar mais emprego. Fica tudo mais fácil assim”, comemora.

Foram mais de 10 horas de viagem da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã para a cidade de Tefé. Áquila foi um dos 24 alunos que saíram de seis unidades de conservação para acompanhar por uma semana o curso de formação de aquaviários. Depois de passar por exames médicos, testes físicos, aulas práticas e teóricas, a turma voltou para casa com a carteira de habilitação fluvial no bolso.

A ação foi uma parceria que o Funbio fechou com a Marinha, numa campanha para regularizar piloteiros e embarcações que atendem às unidades de conservação do ARPA na região. Além do curso, a Capitania dos Portos também orientou os comunitários sobre como tirar ou atualizar a documentação de seus barcos.

No município de Tefé, muitas ruas são de rio. A demanda por barcos e guias, portanto, não tem fim. “Desde o agricultor que mora no interior até o prefeito da cidade, todo mundo depende do transporte fluvial aqui. Inclusive nós”, diz o gestor da RDS Amanã, Iury Valente Debien. “Na Amazônia, a maioria dos deslocamentos é feita por rio. Então se gestor não encontra fornecedores desse tipo de serviço regularizados, ele simplesmente não tem como operacionalizar a unidade”, diz Fábio Ribeiro, gerente do ARPA no Funbio.

A realidade, porém, é justamente esta. “A cada 10 pessoas nas comunidades, uma tem a carteira”, estima o capitão Ricardo Alberici, da Agência Fluvial da Capitania dos Portos em Tefé e organizador do curso. Por ali, afinal, ninguém precisou entrar numa sala de aula para aprender a conduzir uma rabeta. Mas no curso, os alunos conheceram formas de garantir mais segurança no dia a dia no rio. “Muitos acidentes acontecem por coisas simples. Aprendemos como evitar esses perigos, e também como fazer os primeiros socorros”, afirma Áquila. Além disso, a formalidade trazida com a documentação pode abrir novas oportunidades para essas pessoas. Dentro e fora de suas unidades de conservação.

“Eles estão saindo daqui com uma carteira de trabalho. Podem conseguir trabalho em outras embarcações ou transportar passageiros de forma remunerada”, diz o capitão da Marinha. Áquila sabe bem disso. Em agosto, ele começa oficialmente a receber turistas em sua comunidade na RDS Amanã. A estreia de sua carteira de marinheiro fluvial vai ter um gostinho especial: “Sempre tive vontade de trabalhar com turismo. Já fechei com um grupo de holandeses e tem mais um monte de gente interessada”, diz animado.

Nos próximos meses, o Funbio pretende levar a ação para outras regiões da Amazônia, adianta Fábio Ribeiro: “Isso aqui é só um embrião”.

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