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Consórcio Babaçu Livre fortalece trabalho de mulheres Quebradeiras de Coco no Maranhão e Tocantins
Com grande presença no Cerrado brasileiro, a imponente Palmeira Babaçu tem papel fundamental na sobrevivência das comunidades tradicionais que vivem nas regiões norte, nordeste e centro-oeste. Da árvore podem ser aproveitadas as folhas, o fruto e a riquíssima castanha de babaçu. Todo o trabalho é feito, majoritariamente, pelas Quebradeiras de Coco Babaçu, mulheres que veem o trabalho rural como forma de sustento e de preservação ambiental. Desta visão, nasceu o Consórcio Babaçu Livre, apoiado pelo COPAÍBAS por meio do projeto “Plano de Desenvolvimento Sustentável do Consórcio Babaçu Livre”, que fortalece o trabalho de 17 organizações de base no Maranhão e Tocantins.
O projeto começou a ganhar forma em 2021, mas só no ano seguinte conseguiu a verba necessária para iniciar o trabalho efetivamente. Mayk Arruda, neto e filho de Quebradeiras, é assessor institucional da Central do Cerrado, a responsável por pensar e executar a criação do consórcio. “Em 2021 recebemos um aporte financeiro que deu o pontapé inicial para a criação do Consórcio Babaçu Livre, que na época ainda era chamado de Rede Babaçu. Começamos apoiando 12 organizações de base”, conta Arruda.
Em 2023, o Consórcio foi selecionado pelo Programa COPAÍBAS em um modelo inovador que permite a execução dos 24 primeiros meses de um Plano de Desenvolvimento desenhado para cinco anos. “O apoio possibilitou que a gente pudesse seguir com a implementação do consórcio, ampliando a nossa visão para o futuro. O investimento em infraestrutura, assistência técnica e rastreabilidade possibilitado pelo Programa foi fundamental para o consórcio. No último ano, aumentamos o número de organizações, chegando a 17, e abrangemos mais de 1.270 famílias”, comemora.
E a presença feminina ainda é majoritária dentro das organizações cooperadas: 12 são exclusivamente geridas por mulheres que mantêm vivo o ofício passado entre gerações. Inclusive, a categoria de Povos e Comunidades Tradicionais (PCT) é uma das únicas denominadas no feminino, uma vez que são as mulheres que sempre estiveram na linha de frente pela busca de mais direitos e de apoio para a extração das matérias primas usadas na produção de cosméticos, alimentos e artesanatos. O óleo de babaçu, produto mais cobiçado, foi o primeiro produto extrativista com certificação orgânica e as organizações que compõem o Consórcio negociam com empresas internacionais desde a década de 90.
“O interesse pelo óleo de babaçu e outros insumos tem crescido nos últimos anos e, por isso, o apoio de programas como o COPAÍBAS é fundamental. Graças ao trabalho de estruturação das agroindústrias, realizado com verba do Programa, foi possível atender a demanda de um dos nossos maiores compradores que aumentou a compra de 200 para 450 toneladas em um ano”, celebra Mayk.
Certificações e participações em feiras internacionais
O apoio do Programa também foi decisivo para a emissão da certificação UEBT, responsável por avaliar e atestar que os ingredientes comercializados são colhidos e cultivados respeitando a biodiversidade. O certificado foi emitido para a Cooperativa dos Pequenos Produtores Agroextrativistas de Lago do Junco (COPPALJ), que centraliza em grande parte a comercialização dos produtos produzidos pelos cooperados do consórcio.
No ano de 2026, o consórcio amplia suas barreiras e mantêm a sua participação na BioFach, maior feira de produtos orgânicos da Europa, pelo terceiro ano consecutivo e têm presença confirmada pela primeira vez na in-cosmetics Global 2026, feira de cosméticos com maior relevância mundial, que será realizada em Paris no mês de abril. “Nossa expectativa para essas feiras é sempre gerar negócios que sejam positivos para os cooperados e negociar os produtos do babaçu com respeito e dignidade”, afirma Mayk, “Na BioFach foram negociados 12 containeres de óleo de babaçu, cerca de 170 toneladas, o que superou as nossas expectativas. Então, vamos chegar em abril muito animados, mas com o pé no chão”, finaliza.
