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COPAÍBAS

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01/06/2026

Mulher é eleita coordenadora-geral da Mobilização dos Povos Indígenas do Cerrado pela primeira vez

Arlete Krikati, coordenadora-geral da Mobilização dos Povos Indígenas do Cerrado (MOPIC) Foto: Fernando Ralfer/CTI
Arlete Krikati, coordenadora-geral da Mobilização dos Povos Indígenas do Cerrado (MOPIC) Foto: Fernando Ralfer/CTI
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Após 18 anos, a Mobilização dos Povos Indígenas do Cerrado (MOPIC) elegeu, pela primeira vez, uma mulher para sua coordenação-geral, em um momento de pressão sobre o bioma. Arlete Krikati, Pe’cyr em na língua Timbira, tem 57 anos e é moradora da aldeia São José, a maior da Terra Indígena Krikati, no cerrado maranhense. A eleição foi realizada na Assembleia da MOPIC, que reuniu mais de 120 indígenas de 33 povos, em Brasília, em março de 2026. Arlete atua há quase quatro décadas no movimento indígena, com a participação em mobilizações pela defesa territorial e organização de povos do Cerrado.

“Um dos objetivos do COPAÍBAS é apoiar e fortalecer o protagonismo dos povos indígenas em processos voltados à redução do desmatamento. Além disso, o programa valoriza a representatividade das mulheres indígenas em processos de tomada de decisão e ações voltadas para a gestão territorial e ambiental”, explica Joyce Costa Barbosa, analista de Projetos do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO).

A nova coordenadora assume em um contexto de desafios crescentes. “Comecei a trabalhar com os movimentos indígenas aos 19 anos. Desde então, aprendi a falar português e a entender o que acontecia com nosso povo. Espero receber apoio para continuar lutando pela conservação do Cerrado”, diz Arlete, que terá como vice Dilson Guarani Kaiowá.

A assembleia foi conduzida pela MOPIC em parceria com o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), com a contribuição do projeto “Cerrado em Pé: fortalecimento da gestão territorial e ambiental de terras indígenas e suas organizações”, que tem apoio do Programa COPAÍBAS. O projeto atua para fortalecer a implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental (PNGATI) em terras indígenas do Cerrado, junto aos povos Terena, Apinayé, Canela-Apanjekrá, Canela – Memortumré, Xavante, Xacriabá e Guarani Kaiowá e suas organizações representativas, impactando cerca de 25 mil indígenas, com as mulheres ocupando mais da metade deste grupo e ampliando sua participação políticas nos territórios.

Liana Onça, coordenadora do Projeto Cerrado em Pé integrante do CTI, acredita que a eleição de uma mulher indígena trará ainda mais força ao movimento político. Criado em 2004, a MOPIC nasceu com o objetivo de articular a defesa dos direitos dos povos originários e a preservação do bioma Cerrado.

“É muito significativa e impactante esta conquista de espaço das mulheres indígenas na articulação política nacional. Além disso, nas coordenações regionais, a maioria é formada por mulheres. A Arlete é Krikati, um dos povos Timbira. Os Timbira, juntamente com o povo Xavante foram fundadores da MOPIC”, explica Liana Onça.

Segundo Liana, o encontro marcou a retomada da articulação política após quase duas décadas sem assembleias. Entre os planos para o futuro, diz Arlete Krikati, a nova coordenação do MOPIC planeja percorrer aldeias do Cerrado para fazer um levantamento dos problemas e ouvir as lideranças.

O Programa COPAÍBAS – Comunidades Tradicionais, Povos Indígenas e Áreas Protegidas nos Biomas Amazônia e Cerrado – tem o FUNBIO como gestor técnico e financeiro e a Iniciativa Internacional da Noruega pelo Clima e Florestas (NICFI) como financiadora.

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