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Home - Notícias - No mês das mulheres, conheça gestoras à frente de UCs apoiadas pelo Programa COPAÍBAS

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COPAÍBAS

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02/03/2026

No mês das mulheres, conheça gestoras à frente de UCs apoiadas pelo Programa COPAÍBAS

Mais do que um cargo, a posição de gestão de uma Unidade de Conservação (UC) representa a realização de um sonho para as mulheres que estão à frente de áreas apoiadas pelo COPAÍBAS no Cerrado. As histórias de Cristiane Schnepfleitner (Parque Estadual Serra Azul), Grazielly Costa (Parque Estadual Serra Nova e Talhado) e Valéria da Silva (Parque Estadual Serra das Araras e da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Veredas do Acari) celebram a participação feminina na conservação do meio ambiente.

Em três perguntas, convidamos estas gestoras a compartilharem detalhes de suas trajetórias na área ambiental, o caminho que traçaram para ocupar esta posição e a importância da representatividade feminina nesta área. Confira abaixo!

Cristiane Schnepfleitner, gestora do Parque Estadual Serra Azul desde 2015

A frente da gestão do Parque Estadual da Serra Azul, apoiado pelo COPAÍBAS, e da APA Pé da Serra Azul, ambos em Mato Grosso, Cristiane Schnepfleitner sempre pautou a sua atuação na condução de múltiplas frentes, envolvendo gestão territorial, ordenamento de uso público, articulação institucional e implementação de ações estruturantes voltadas à conservação e valorização das UCs. Formada em Agronomia e especialista em Direito Ambiental e Direito Ambiental Urbano, sua trajetória profissional iniciou em 2006, como analista ambiental na Secretaria de Meio Ambiente (SEMA) no Mato Grosso.

O que o papel de gestora representa para você, seja pessoal ou profissionalmente?

A gestão de uma Unidade de Conservação demanda constância, tomada de decisão qualificada e capacidade de conduzir processos em diferentes níveis, frequentemente em contextos desafiadores. É um trabalho construído de forma contínua, por meio de ações técnicas e operacionais que, ao longo do tempo, consolidam resultados estruturantes. Mais do que uma função, representa um compromisso com o interesse público e com a construção de soluções que contribuam para a conservação ambiental e para a melhoria das relações entre sociedade e território.

Qual a importância de ter mulheres à frente de Unidades de Conservação (UCs) no Brasil?

A presença de mulheres na gestão de UCs amplia a diversidade de perspectivas e fortalece abordagens que valorizam o diálogo, a cooperação institucional e a construção de soluções integradas. A par das diferentes competências individuais, a atuação feminina tende a incorporar elementos como sensibilidade territorial, visão de continuidade e capacidade de articulação, aspectos relevantes para processos de gestão que exigem equilíbrio entre proteção ambiental e interação com diferentes atores sociais. Assim, a participação das mulheres contribui para consolidar modelos de gestão mais inclusivos, resilientes e orientados à sustentabilidade de longo prazo.

Quais conquistas, como gestora de UC, você gostaria de compartilhar ou pelas quais gostaria de ser lembrada?

Eu gosto de destacar a conquista que tivemos na transformação institucional e operacional do Parque Estadual da Serra Azul e da APA Pé da Serra Azul. A gestão teve início em um cenário de elevada fragilidade, marcado por limitações estruturais, ausência de equipamentos e escassez de recursos humanos e financeiros. Ao longo dos anos, conseguimos estruturar a atuação diretamente no interior da Unidade, com implantação de bases físicas, aquisição de equipamentos e veículos, organização dos atrativos, fortalecimento do ordenamento do uso público e ampliação da visibilidade em nível regional e nacional.

Também atuamos pela consolidação de parcerias institucionais e pelo engajamento de diferentes atores na gestão do Parque e da Área de Proteção Ambiental, evidenciando as ações pautadas na cooperação, na persistência e na construção de resultados consistentes ao longo do tempo, tendo como fator de convergência a valorização contínua do Parque Estadual da Serra Azul. Para esse processo, contamos com o apoio do FUNBIO por meio do COPAÍBAS, que fortaleceu as ações de gestão para consolidação não só desta área como de muitas outras UCs do Cerrado.

Grazielly Costa, gestora do Parque Estadual Serra Nova e Talhado, em Minas Gerais, desde 2021

Aos 35 anos, a engenheira ambiental Grazielly Costa chegou ao Parque Estadual Serra Nova e Talhado em 2016 para ocupar uma posição de monitora ambiental. O trabalho, que era focado no desenvolvimento e apoio em ações de educação ambiental e uso público, sempre esteve atrelado a valores nos quais acreditava, como a criação de experiências na natureza como ferramenta de transformação. Mãe de dois filhos, ela viu sua rotina ser mudada com muitos desafios impostos pelo trabalho na proteção de áreas protegidas, acontecimentos essenciais para que ela pudesse se preparar para assumir a gestão do parque há 5 anos.

O que o papel de gestora representa para você, seja pessoal ou profissionalmente?

Ser gestora, pra mim, representa uma grande responsabilidade e, ao mesmo tempo, um propósito de vida. Profissionalmente, é uma oportunidade de colocar em prática tudo o que vivi e aprendi durante a minha graduação e na vivência que tenho dentro da própria Unidade de Conservação, equilibrando proteção, uso público, diálogo com sociedade. Gosto sempre de enfatizar esse último ponto, o diálogo, pois é muito importante ter a sociedade caminhando junto com a gente.

Pessoalmente é um exercício constante de superação, liderança e resiliência. É um trabalho muito desafiador que exige firmeza nas decisões e coragem diante de diversos conflitos que todos nós sabemos que existem na gestão de uma UC. Ser gestora é defender o território, proteger a biodiversidade e deixar um legado de compromisso e seriedade, sendo também um exemplo para os meus filhos.

Qual a importância de ter mulheres à frente de unidades de conservação no Brasil?

Acredito que é essencial termos mulheres ocupando esse cargo. Vejo que há uma ampliação de perspectivas, fortalece a gestão com sensibilidade, firmeza e competência técnica. A gestão de UCs no Brasil é um setor historicamente masculino e ocupar esses espaços é romper barreiras e inspirar outras mulheres a buscar estar nesses cargos.

Estou no extremo norte de Minas Gerais, o Parque do qual eu faço a gestão abrange cinco cidades bem pequenas e o machismo de achar que mulher não pode liderar é muito grande. Então, a conservação ambiental precisa de diversidade, precisa de coragem e precisa de compromisso. E, cada dia mais, as mulheres que atuam nesse espaço têm mostrado que pertencem a esse lugar de decisão.

Quais conquistas, como gestora de UC, você gostaria de compartilhar ou pelas quais gostaria de ser lembrada?

Essa pergunta até me dá um nó na garganta. Como gestora, para além do número de obras, gostaria de ser lembrada pelas pessoas que inspirei ao longo do meu caminho, por ter exercido uma liderança firme, mas também empática, por ter sido dedicada, comprometida e coerente com o que eu acredito. Trabalhar em uma UC é mais que uma função pra mim, é a minha verdadeira vocação. Durante muito tempo eu me perguntei qual seria a minha verdadeira missão e foi na gestão da Unidade de Conservação do Parque Estadual Serra Nova e Talhado que eu encontrei a resposta.

Então, poder contribuir para a preservação, proteção de um bem comum, me dá sentido e propósito todos os dias. Se eu puder ser lembrada como alguém que amou o que fez, defendeu o território com coragem e que inspirou outras mulheres a acreditarem no seu potencial, já terei alcançado um sonho.

Valéria Silva, gestora do Parque Estadual Serra das Araras e da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Veredas do Acari, em Minas Gerais, desde 2024

Natural de Montes Claros, cidade no norte mineiro, Valéria Silva é técnica em agronegócio e em meio ambiente e trabalha pela conservação ambiental há mais de uma década. Há 20 anos, ela vive na região da Chapada Gaúcha (MG), lugar onde teve dois dos seus três filhos. A relação de muita proximidade com a região em que nasceu foi determinante para que ela escolhesse seguir um caminho profissional que lutasse pela preservação ambiental e buscasse melhorias para as comunidades que vivem no entorno dessas áreas de proteção. Por isso, há dois anos, ela aceitou o desafio de se tornar gestora do PE Serra das Araras e da RDS Veredas do Acari.

O que o papel de gestora representa para você, seja pessoal ou profissionalmente?

Sempre tive vontade de trabalhar aqui na Unidade de Conservação por ter nascido e crescido na região. Antes de trabalhar aqui, eu já atuava na área e, por isso, sempre tive contato com as equipes do PE Serra das Araras e da RDS Veredas do Acari. Para mim, é uma satisfação enorme ocupar essa posição. Gosto do que faço, gosto de trabalhar na área ambiental, de ter esse contato com a natureza e com as pessoas que moram no entorno dessas áreas. Todos que estão aqui aprendem muito com todas as comunidades que vivem na região há muitos anos.

Profissionalmente, eu me desenvolvi muito e cresceu a minha vontade de me aprofundar mais nos estudos para poder somar na construção de um mundo melhor.

Qual a importância de ter mulheres à frente de unidades de conservação no Brasil?

Eu acho que as mulheres têm um olhar mais cuidadoso, muito voltado para ampliar a proteção. Fazemos as coisas com mais cuidado e mais amor. Rodei as áreas recentemente e sempre que faço isso fico feliz quando vejo os resultados positivos, e triste quando algo não vai do jeito que queremos e planejamos. Ocupando esses lugares, acho que a gente ganha mais respeito e nossas opiniões passam a ser mais ouvidas. Então ser mulher gerindo uma Unidade de Conservação tem uma importância enorme, não só para mim, como para a sociedade como um todo.

Quais conquistas, como gestora de UC, você gostaria de compartilhar ou pelas quais gostaria de ser lembrada?

Uma conquista que me marcou muito desde que cheguei, e também marcou as comunidades que moram no entorno do parque, foi a finalização e aprovação do Plano de Manejo. O documento começou a ser desenvolvido em 2008 e eu já acompanhava um pouco o trabalho pois atuava diretamente com as comunidades. Foi muito gratificante e marcante participar da reunião de apresentação final do Plano e ver como as pessoas ficaram felizes e se viram representadas pelo documento que foi aprovado. Com certeza foi uma vitória, uma conquista muito grande e que me emocionou muito.

Desde que cheguei, também venho atuando na instalação de sinalizações no Parque e essa é uma melhoria que vem sendo muito elogiada pelos visitantes. Por último, acho que a construção de uma relação respeitosa com todos os colaboradores do Parque e com as comunidades é algo que também ficará marcado na minha história.

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