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Primeira trilha de longo curso a atravessar a Caatinga é inaugurada
As paisagens da Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro, acabam de ganhar novos pontos de vista com a inauguração da trilha de longo curso Caminhos da Ibiapaba, a primeira reconhecida pela Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade – RedeTrilhas a atravessar o rico conjunto de ecossistemas nordestino.
Com 180 km de extensão, a trilha cruza o limite entre Piauí e Ceará no norte dos estados e liga três unidades de conservação – o Parque Nacional de Sete Cidades (PI), o Parque Nacional de Ubajara (CE) e a Área de Proteção Ambiental Serra da Ibiapaba (nos dois estados). É também a primeira no Brasil a passar por três diferentes biomas — Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica.
Desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM) em parceria com governos locais e com apoio do GEF Terrestre, a Caminhos da Ibiapaba é uma das 22 trilhas de longo curso homologadas pela RedeTrilhas, iniciativa do Governo Federal para a estruturação e o fomento delas. Para integrar a lista, é preciso cumprir os critérios ambientais, sociais, jurídicos e de governança estabelecidos pela Portaria 500 do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Ministério do Turismo e ICMBio.
Outras duas trilhas estão em fase final de desenvolvimento com o apoio do GEF Terrestre. No Pantanal, a Travessia Guadakan está sendo consolidada pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP). Já o Instituto Pró-Pampa é o responsável pela implementação da trilha Caminhos do Pampa, que tem inauguração prevista para o primeiro semestre deste ano.
Estratégia e atrativos
A estratégia de estímulo à implementação de trilhas de longo curso do projeto GEF Terrestre parte do reconhecimento da relevância delas para o fomento do turismo de base comunitária, para a educação ambiental e para a conservação, pois ajudam também a formar corredores ecológicos que ligam áreas de proteção.
Segundo Thiago Beraldo, coordenador do projeto ‘Estruturação e Sustentabilidade da Trilha Caminhos da Ibiapaba’, muitas das Unidades de Conservação da região funcionam como “ilhas”, isoladas dos ecossistemas aos quais pertencem por áreas privadas. “A palavra-chave para definir as trilhas de longo curso é conectividade e o principal objetivo em termos de conservação é ser um vetor de conectividade ecológica”, explica ele.
Para que a nova trilha saísse do papel, foi importante elaborar estratégias fundadas no desenvolvimento sustentável. “Havia muita resistência dos proprietários das áreas privadas em concordar que a trilha passasse por suas terras. Por isso, foi muito importante gerar valor social e econômico para eles e os demais moradores das regiões”, diz Thiago, mencionando serviços de hospedagem, alimentação, transporte e turismo.
Além dos atrativos naturais, as travessias apresentam também aspectos culturais e históricos das regiões que atravessam. Isso acontece na Caminhos da Ibiapaba, criada com base em uma antiga rota usada por mercadores “comboieiros”, que transportavam produtos do Ceará para o Piauí e Maranhão. A rota que atravessa os municípios de Tianguá, Ubajara e Ibiapina, no Ceará, e São João da Fronteira, Brasileira e Piracuruca, no Piauí, passa por comunidades que preservam casarios do século XVII, açudes e reservatórios, o que enriquece a experiência.
Expedição inaugural
Uma expedição inaugural que percorrerá os 180 km será realizada entre os dias 1º e 7 de fevereiro. Mas engana-se quem pensa que a Caminhos da Ibiapaba é uma opção apenas para atletas. A trilha é composta por 13 trechos com diferentes níveis de dificuldade, que podem ser percorridos isoladamente ou parcialmente. A travessia também pode ser feita de bicicleta, opção que tem agradado aos que já estiveram lá. “As pessoas estão gostando muito. Todos os usuários e, principalmente, os ciclistas”, fala Beraldo.
O projeto GEF Terrestre é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês) sob gestão e execução do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) e com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como agência implementadora.
