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Andréia Mello faz balanço da iniciativa Diálogos pelo Clima, do Programa COPAÍBAS
A iniciativa Diálogos pelo Clima (DPC), do Programa COPAÍBAS, chega a 2026 com o saldo de seis livros editados e mais quatro em planejamento. As publicações são resultado das ideias e conceitos debatidos nas dezenas de encontros promovidos entre profissionais do sistema de Justiça brasileiro e representantes da sociedade civil que atuam em temas relacionados às mudanças climáticas e ao combate ao desmatamento na Amazônia e no Cerrado. A especialista em biodiversidade do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) e líder da iniciativa, Andréia Mello, avalia como positivo os quatro anos de projeto.
Qual balanço você faz sobre essa iniciativa?
Fechamos 2025 com todos os nossos objetivos alcançados. Até agora conseguimos editar seis livros com parceiros sempre dispostos a compartilhar o conhecimento, que acreditam no processo de mudança social e ambiental. Foi um grande sucesso em termos de articulação, estruturação e divulgação do que nós queríamos trazer, que são novas vozes sobre o tema ambiental. Tivemos muita adesão e muito envolvimento, o que colaborou para que conseguíssemos fazer uma metodologia que os parceiros reconhecessem como ágil e eficiente. Com um objetivo, início, meio e fim, e um produto, que é a publicação. E esta publicação dá voz a um grupo que geralmente só conversa no seu próprio meio, que é o meio jurídico. Tenho sido procurada para fazer novas parcerias, o que me deixa muito feliz.
O que a gente conseguiu com esse trabalho foi de fato trazer novos nomes e inclusive com algumas homenagens. O terceiro livro que publicamos, por exemplo, é sobre comunidades tradicionais, quilombolas e indígenas. Então, temos vozes quilombolas e indígenas no livro. Também houve homenagem às mulheres, num livro muito interessante, que trouxe a perspectiva feminina sobre o debate climático.
Quais são as principais conquistas?
A principal conquista foi a confiança estabelecida com os parceiros. Por mais que eles tivessem muito conhecimento técnico sobre o tema, eles se propuseram a ouvir, a entender, a trocar, para apresentar as escritas, trazendo abertura para reflexão. Eles reconheceram a seriedade e o compromisso da equipe do COPAÍBAS e viram a eficiência da estrutura que foi mobilizada para garantir que essa iniciativa acontecesse.
Como foi o processo de produção dos seis livros lançados pelo Diálogos pelo Clima?
Cada parceiro trouxe um desafio diferente. No primeiro livro, que foi com integrantes do Fórum de Procuradores da Amazônia Legal (FOPEMA), a equipe do COPAÍBAS os apoiou na transcrição e estruturação do material a partir de reuniões presenciais realizadas, construindo artigos revistos pelos Procuradores de Estado, com base nas ideias deles. O resultado foi ótimo. Outros parceiros tiveram maior possibilidade de se dedicar à escrita, sob nossa orientação e estruturada com base nas discussões em grupo. Sempre tivemos o cuidado com a linguagem, para que fosse acessível. Não interferimos nos textos, mas quando havia alguma palavra, expressão ou conceito que podia ser difícil de entender, colocamos nota explicativa, por exemplo. Foi uma relação de muita confiança, de cuidado com os textos dos parceiros.
E como foi a aceitação dos livros?
Tivemos uma grande aceitação, com várias bibliotecas, de Brasília, de Belo Horizonte, por exemplo, escrevendo para o FUNBIO, pedindo os livros. Com isso, reimprimimos vários deles, o que é um indicativo de sucesso e ficamos orgulhosos com isso. A ideia inicial nem era que tivéssemos uma publicação física, mas sabemos que muita gente ainda prefere a leitura em papel.
O que podemos esperar do DPC em 2026?
Nosso desafio para 2026 é formalizar duas novas parcerias, sendo uma com a Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (ABRAMPA) e outra com o Ministério Público de Minas Gerais. Faremos os encontros no segundo semestre de 2026 e as publicações estão previstas para 2027. Com o MP de Minas Gerais, vamos ter três encontros presenciais, um dos quais com atividades em campo para conhecimento de realidades locais, e a produção de um livro como atividade final. Com a ABRAMPA, vimos que seria mais interessante e viável mudar o formato. Vamos começar com o vivencial, para as pessoas conhecerem nosso trabalho, e depois vamos fazer dois a três encontros online para fecharmos a pauta. Temos a meta de, com estas novas parcerias, chegarmos ao total de dez livros.
O Programa COPAÍBAS – Comunidades Tradicionais, Povos Indígenas e Áreas Protegidas nos Biomas Amazônia e Cerrado – tem o FUNBIO como gestor técnico e financeiro e a Iniciativa Internacional da Noruega pelo Clima e Florestas (NICFI) como financiadora.
