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Home - Notícias - Pesquisas apoiadas pelo FUNBIO investigam como as mudanças climáticas ameaçam espécies, ecossistemas e modos de vida no Brasil

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Notícias

10/07/2026

Pesquisas apoiadas pelo FUNBIO investigam como as mudanças climáticas ameaçam espécies, ecossistemas e modos de vida no Brasil

Daniel Olentino, do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal e Recursos Pesqueiros da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Foto: Acervo pessoal
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As mudanças climáticas deixaram de ser uma projeção distante para se tornarem um fenômeno observado diariamente em diferentes regiões do país. Secas históricas, incêndios mais intensos, alterações no regime de chuvas e novas pressões sobre ecossistemas naturais têm mobilizado a comunidade científica em busca de respostas para um dos maiores desafios da atualidade.

Na semana em que é celebrado o Dia Nacional da Ciência (8 de julho), destacamos três pesquisas apoiadas pelo programa Bolsas FUNBIO – Conservando o Futuro que investigam impactos ambientais em diferentes biomas brasileiros e ajudam a compreender como espécies, ecossistemas e comunidades podem responder às transformações em curso.

Criado para apoiar pesquisas de campo voltadas à conservação da biodiversidade, o programa já apoiou mais de 200 pesquisadores em diferentes regiões do país. A iniciativa busca fortalecer a produção de conhecimento científico aplicado à conservação e à gestão ambiental, aproximando universidades, unidades de conservação, comunidades locais e tomadores de decisão. As inscrições para a nona edição do programa permanecem abertas até 30 de julho de 2026.

Rosa  Lemos de Sá, Secretária-geral do FUNBIO, diz que apoiar pesquisas como essas significa investir na formação de pesquisadores e na produção de conhecimento capaz de responder a questões concretas da conservação. 

“O programa Bolsas FUNBIO caminha para a primeira década de existência e nos dá enorme satisfação ver como o apoio a pesquisas de campo pode impulsionar a trajetória de jovens pesquisadores dedicados à conservação em todo o país. Gerar conhecimento e conexões, estimular o desenvolvimento de habilidades é, para nós, o maior legado da iniciativa, que tem como parceiro fundamental o Programa Fonseca de Liderança do GEF.”

Na Amazônia, o pesquisador Daniel Olentino, do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal e Recursos Pesqueiros da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), investiga de que forma eventos hidrológicos extremos podem afetar uma atividade considerada referência mundial em uso sustentável dos recursos naturais: o manejo comunitário do pirarucu.

A pesquisa será realizada em comunidades localizadas nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, duas das mais importantes áreas protegidas da Amazônia brasileira. O objetivo é compreender se eventos extremos estão associados à redução da captura do pirarucu, à diminuição da renda gerada pela atividade e ao aumento dos custos operacionais do manejo. 

“Nos últimos anos, a Amazônia tem vivenciado secas cada vez mais severas, que afetam o modo de vida das comunidades, a logística da produção e o acesso aos recursos naturais. O que buscamos compreender é como essas mudanças podem estar impactando uma atividade que é fundamental para a conservação e para a geração de renda em áreas protegidas da região, bem como quais estratégias podem contribuir para enfrentar esses desafios”, afirma Daniel Olentino.

Além de avaliar indicadores econômicos e produtivos, o estudo irá documentar a percepção dos pescadores sobre os impactos das secas e as estratégias utilizadas para manter a atividade. Os resultados poderão contribuir para futuras ações de adaptação climática em territórios amazônicos. 

Entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, outra pesquisa busca compreender como dois fenômenos que tendem a se intensificar em um cenário de mudanças climáticas (a seca e o fogo) podem alterar ecossistemas de montanha considerados especialmente vulneráveis.

Desenvolvido por Anna Luzia Souza Ehms de Abreu, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Evolução da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o estudo está sendo realizado nos campos de altitude do Parque Nacional do Itatiaia. 

Esses ambientes são conhecidos como sentinelas ambientais porque costumam responder de forma mais intensa às alterações climáticas, registrando rapidamente mudanças relacionadas à temperatura e ao regime de precipitações. Apesar dessa condição, ainda existem poucas pesquisas dedicadas a entender como esses ecossistemas podem reagir ao aumento da frequência de eventos extremos. 

A relevância da área vai além da biodiversidade. O parque abriga nascentes dos rios Aiuruoca, Campo Belo e Preto, importantes para a manutenção de serviços hidrológicos e para o abastecimento de água em partes dos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. 

Os resultados poderão apoiar ações de conservação, restauração ecológica e planejamento da gestão do fogo em unidades de conservação de montanha, além de contribuir para compreender como a biodiversidade responde a cenários ambientais cada vez mais extremos. 

No ambiente marinho, a pesquisadora Ana Cristina Lazzari Chiovatto, doutoranda da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), investiga uma ameaça menos evidente, mas crescente para os recifes de coral: a benzofenona-3 (BP-3), substância amplamente utilizada em protetores solares e outros produtos de uso cotidiano. 

Reconhecidos entre os ecossistemas mais biodiversos do planeta, os recifes de coral já enfrentam ameaças relacionadas ao aquecimento dos oceanos, acidificação marinha e eventos de branqueamento. A pesquisa busca entender como a exposição à BP-3 pode afetar estágios extremamente sensíveis do ciclo de vida de corais brasileiros. 

A pesquisa investigará alterações morfológicas, fisiológicas e comportamentais, além dos impactos sobre o assentamento larval, etapa fundamental para a formação de novas colônias e para a manutenção dos recifes. 

Os resultados poderão contribuir para o desenvolvimento de protocolos de monitoramento ambiental, ampliar o conhecimento sobre contaminantes emergentes em ambientes marinhos e subsidiar discussões sobre o uso de determinados compostos em áreas costeiras sensíveis. 

O edital completo está disponível aqui.

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Categoria: Bolsas FUNBIO, Notícias

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