Os Centros de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) são espaços fundamentais para manejo e reabilitação de animais vítimas de crimes ambientais, acidentes ou desastres. Ainda assim, muitos desses 25 centros federais, distribuídos por todo o país, são carentes de recursos e investimentos em infraestrutura. Reparar essa deficiência é o cerne do projeto Reabilita CETAS, assinado em dezembro de 2024, que tem como foco inicial quatro centros localizados nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo (Grupo 1), mas também o fortalecimento nacional de toda a Rede CETAS (Grupo 2). Serão investidos R$ 211 milhões em todo o projeto, dos quais R$ 66 milhões para os centros mineiros e capixabas e outros R$ 118 milhões para os investimentos no resto do país.
Os recursos são oriundos de um termo de repasse firmado entre o FUNBIO e a Fundação Renova, como parte das obrigações legais para recuperação ambiental da Bacia Hidrográfica do Rio Doce, impactada pelo rompimento da barragem de Fundão, em 2015. Para executar as ações foi assinado também um Acordo de Cooperação entre o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o FUNBIO, com interveniência-anuência da Fundação Renova.
O ano de 2025 foi voltado para os preparativos, planejamento e governança necessários para execução do projeto, com duração prevista até 2030.
Nesses próximos anos, está prevista a implementação de dois novos CETAS, sendo um no município mineiro de Nova Lima e outro em Serra, do lado capixaba, e a garantia de sua manutenção por no mínimo três anos após a construção; além da manutenção dos CETAS existentes de Montes Claros e Juiz de Fora, ambos em Minas Gerais.
O projeto de engenharia e arquitetura para construções e intervenções nos CETAS já está em processo de contratação e a expectativa é que essa etapa termine até o final do primeiro semestre de 2026.
Já no Grupo 2, o projeto irá investir em ações para o fortalecimento de toda a Rede CETAS, com ações de manutenção, revitalização e também de educação ambiental. Em 2025, foi feito um mapeamento das melhorias e obras emergenciais necessárias nos centros, que serão realizadas a partir do próximo ano.
O projeto prevê ainda o apoio às Áreas de Soltura de Animais Silvestres (ASAS), locais aptos e regulamentos para devolver à natureza animais resgatados e reabilitados.
“O Reabilita é estratégico no fortalecimento da Rede Cetas por todo o país. O projeto, que vem dessa cooperação entre Ibama, Fundação Renova e FUNBIO, vai viabilizar a estruturação da rede, para que os animais sejam reabilitados e destinados à natureza nas suas áreas originais de ocorrência”, afirma Maria Izabel Gomes, diretora de Biodiversidade e Florestas (DBFlo/Ibama) e ponto focal do Ibama no projeto.
Os aportes no Reabilita CETAS integram o Acordo de Reparação da Bacia do Rio Doce, firmado entre Samarco, Vale e BHP Brasil, União, governos de Minas Gerais e do Espírito Santo, Ministérios Públicos Federal e Estaduais e Defensorias Públicas da União e Estaduais (MG e ES), entre outros órgãos e instituições públicos, e homologado em novembro de 2024 pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
