Mecanismo indígena Vítuke

Recursos diretos para os indígenas de todos os biomas brasileiros.

Floresta Viva

Restauração ecológica dos biomas brasileiros com recursos do Fundo Socioambiental do BNDES e de instituições apoiadoras

FINACLIMA-SP

Mecanismo que viabiliza aportes de recursos privados, para ampliar e qualificar o financiamento climático no território paulista

AMAZÔNIA VIVA

Mecanismo de Financiamento Amazônia Viva fortalece organizações, negócios e a cadeias da sociobiodiversidade

Fundo Kayapó

Mecanismo indígena que tem como missão apoiar o povo indígena Mebêngôkre-Kayapó

ARPA

O maior programa de conservação de florestas tropicais do planeta

Image banner
Postado dia 31 março 2026

Caatinga ganha cinco novas Unidades de Conservação com o apoio do GEF Terrestre

O ano de 2026 começou com boas notícias para a conservação da Caatinga no Ceará: cinco novas áreas de proteção ambiental foram criadas no norte e noroeste do estado com o apoio decisivo do GEF Terrestre. Elas somam cerca de 79 mil hectares e ajudarão a resguardar as riquezas da flora e da fauna deste bioma.  Foram criadas a Área de Proteção Ambiental (APA) Serras de Irauçuba, em Irauçuba; o Monumento Natural Furna dos Ossos, em Tejuçuoca; a APA Serras da Caatinga, em Canindé, Itatira e Santa Quitéria; a Área de Relevante Interesse Ecológico Pontal da Serra da Ibiapaba, em Graça, Pacujá e Reriutaba; e o Refúgio de Vida Silvestre Picos da Caatinga, em Canindé e Itatira.  “O apoio do GEF Terrestre nos trouxe ganhos muito significativos”, celebra Andrea Moreira, técnica da Coordenadoria de Biodiversidade da SEMA/CE. “Conseguimos criar essas áreas em regiões nas quais não tínhamos UCs. Foi muito simbólico termos essa conquista no momento em que o Sistema Estadual de Unidades de Conservação do estado completou 14 anos”, comemora. Com essas novas áreas, o Ceará atingiu a marca de 44 UCs e cerca de 270 mil hectares.  O processo de criação das Unidades de Conservação (UCs), iniciado em 2012 com o mapeamento das áreas, recebeu impulso definitivo em 2024, quando passou a receber o apoio do GEF Terrestre, que tem entre os seus objetivos a criação de áreas de proteção na Caatinga, no Pampa e no Pantanal. Com o aporte oferecido pelo projeto, a Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará (SEMA/CE) pôde realizar os estudos e outros procedimentos essenciais para o avanço e conclusão dos trabalhos.  A começar pelos estudos conduzidos durante um ano e meio pela equipe da Associação Caatinga, avaliados a partir do primeiro semestre de 2025 pelo grupo de trabalho técnico formado por membros da SEMA/CE, do Instituto de Pesquisa e Estatística (IPS) e da Universidade Federal do Ceará. Foram realizadas, então, as reuniões de consulta pública nas cidades de Graça, Tejuçuoca e Itatira, que reuniram também a população e representantes legais de outros municípios dessas regiões, como Reriutaba, Irauçuba, Canindé e Santa Quitéria.  Nessas reuniões foram apresentadas as propostas de criação das áreas protegidas à população local, que pôde tirar dúvidas e manifestar seus pontos de vista. Trata-se de um ambiente de escuta ativa e uma etapa desafiadora, conforme explica Andrea: “A gente percebeu que havia um processo de desinformação muito forte, levando a população a rejeitar a criação das UCs com receio de que elas impedissem as atividades de plantio e caça”, explica.  “Foi um processo de muito diálogo para que a gente conseguisse mostrar o valor da conservação e apresentar modelos de desenvolvimento sustentáveis que fizessem sentido para os moradores de cada região. A nossa meta é sempre apresentar uma proposta que tenha o menor impacto possível na vida da população local e, por isso, sempre fazemos ajustes no material do estudo depois dessas reuniões”, conta ela.  Após a aprovação nas reuniões de consulta pública, o decreto oficial de criação das UCs finalmente foi assinado no dia 16 de dezembro pelo Governo do Estado do Ceará. Um presente de natal para os cearenses, diretamente beneficiados pelos serviços ecossistêmicos prestados por essas áreas, que abrigam espécies ameaçadas e raras e estão localizadas em pontos chave para impedir o avanço  da desertificação, processo que ocorre em áreas áridas, semiáridas e subúmidas secas. Os esforços se voltam, agora, para a estruturação dessas cinco UCs. Serão designados gestores para cada uma das novas áreas de proteção, que formarão seus conselhos gestores e, em até cinco anos, deverão apresentar Planos de Manejo que guiarão a sua administração. Vida longa a elas!  O projeto GEF Terrestre é coordenado pelo  Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) sob gestão e execução do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) e com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como agência implementadora.

Ler notícia
Image banner
Postado dia 31 março 2026

Oficina do GEF Terrestre debate os desafios da criação de UCs com representantes das secretarias de Meio Ambiente de cinco estados

Representantes das secretarias estaduais de Meio Ambiente (SEMAs) da Bahia, Ceará, Minas Gerais, Pernambuco e Rio Grande do Sul, que conduzem processos de criação de Unidades de Conservação (UCs) apoiados pelo Projeto GEF Terrestre, reuniram-se para debater e aperfeiçoar a execução deste trabalho na Caatinga e no Pampa.   Realizado em janeiro, em Brasília, 19 agentes públicos participaram da oficina. No encontro, receberam orientações sobre a elaboração de planejamento ambiental aplicado à criação de UC’s e realização de análises georreferenciadas, assim como diretrizes para realização de consultas públicas - etapa fundamental de diálogo com a população para esclarecimento de dúvidas sobre o processo de homologação das unidades. O evento foi ministrado pela equipe da Coordenação de Criação de Unidades de Conservação (COCUC) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e também contou com a colaboração de técnicos do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO).  O encontro foi estruturado a partir de uma demanda da SEMA/BA e faz parte da linha de ação do GEF Terrestre que prevê auxílio à criação de Unidades de Conservação. “Nós nos preocupamos em deixar um legado e, por isso, promover essa troca de conhecimentos é importante. Os participantes presentes tendem a compartilhar o conhecimento adquirido nessas ações com suas equipes, ampliando as discussões”, explica Vivian Saddock, integrante da gerência do projeto no FUNBIO.  Sem criar uma Unidade de Conservação desde 2015, o pedido da Secretaria de Meio Ambiente da Bahia veio da vontade de avançar nessa pauta e fortalecer a proteção da biodiversidade por meio de novas áreas de conservação. “A nossa participação neste evento foi muito produtiva, podemos conhecer ferramentas que estão sendo utilizadas para facilitar o processo de tomada de decisões, além de ter uma intensa troca de experiências com colegas de outros estados,” celebra Poliana Gonçalves Sousa, coordenadora da Diretoria de Políticas de Biodiversidade e Florestas da SEMA/BA.  Rodrigo Faleiro, analista ambiental do ICMBio e um dos palestrantes da COCUC, ressaltou a enorme relevância da realização dessas agendas entre os gestores ambientais federais e estaduais para que entraves à criação de UCs e à conservação ambiental sejam superados. “A criação de uma Unidade de Conservação é uma oportunidade. Porém, também é um desafio para os gestores. Por isso, entender onde queremos chegar e como podemos alcançar nossos objetivos, é imprescindível para pensar uma proposta de UC”, diz.  Já Daniel Castro, também analista ambiental do ICMBio e palestrante na oficina, chamou a atenção para a importância de capacitar os parceiros sobre os procedimentos adotados pelo ICMBio, além da oferta de auxílio técnico, econômico e político para as equipes estaduais. “Essa base sólida fortalece os pilares da sustentabilidade, garantindo que as unidades cumpram seu papel para as gerações atuais e futuras”, concluiu.   O projeto GEF Terrestre é coordenado pelo  Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) sob gestão e execução do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) e com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como agência implementadora.

Ler notícia
Image banner
Postado dia 31 março 2026

Entre o açaí e o caranguejo, um estudo sobre bioeconomia no Pará

No litoral paraense, comunidades que vivem da pesca, do açaí e do extrativismo mostram, na prática, o que significa bioeconomia. O doutorando da Universidade Federal do Pará (UFPA), Jorge Alexandre Melo da Silva, mergulha na realidade da Reserva Extrativista Marinha de Mocapajuba (PA) para entender como esses modos de vida geram renda e sustento às famílias ao mesmo tempo em que contribuem para a conservação da floresta. Selecionado na edição de 2025 do Programa Bolsas FUNBIO – Conservando o Futuro, por meio do Programa Fonseca de Liderança, do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF na sigla em inglês), ele busca usar seus dados para fortalecer a governança local e a sociobiodiversidade na área protegida federal. Localizada no município de São Caetano de Odivelas, a reserva extrativista (Resex) com cerca de 21 mil hectares, entre a Amazônia e o oceano, reúne 25 comunidades que dependem diretamente da natureza para viver. São cinco cadeias produtivas principais: a pesca, o caranguejo, o açaí, o mel e o cultivo de ostras. Essas atividades, parte do cotidiano das famílias, estão no centro da economia local, e profundamente conectadas ao ambiente. “A minha pesquisa procura entender como as comunidades que vivem dentro da reserva extrativista, dessa especificamente, utilizam esses recursos naturais para garantir sua renda e sustento. E como essas atividades podem contribuir para fortalecer a bioeconomia e também para a conservação da sociobiodiversidade dessas regiões”, resume Jorge. O estudo se organiza em três eixos principais: as cadeias produtivas locais, as políticas públicas (quais são, se são eficazes, como é acessada pelos extrativistas e quais suas barreiras e deficiências) e a governança, tanto institucional quanto comunitária. Para levantar esses dados, Jorge fará diversas visitas à reserva extrativista, nas quais conversa com moradores, pescadores, as lideranças comunitárias e os representantes de associações locais, como a Auremoca (Associação da Reserva Extrativista Mocapajuba) “Eu tenho contato direto com esses representantes, e é muito importante, porque me permite compreender melhor a realidade das pessoas que vivem nesse território, suas experiências, desafios, e também as oportunidades relacionadas às atividades produtivas desenvolvidas nesta região”, diz o doutorando, que também tem participado de reuniões como a do Conselho Deliberativo da Resex. Todo conhecimento levantado pelo pesquisador será traduzido em uma cartilha sócio-produtiva, disponível e acessível aos comunitários. O propósito é sistematizar esses saberes tradicionais aliado à pesquisa científica, documentar as práticas, as dinâmicas e desafios das comunidades.  Um dos gargalos já identificados por Jorge é o acesso a dados e documentos necessários para ter acesso às políticas públicas. Por isso, transformando ciência em solução, o doutorando irá montar ainda um site com um banco de dados gerido pela associação de moradores. “Para além da pesquisa acadêmica, acredito que esse trabalho pode contribuir para valorizar a sociodiversidade da região, fortalecer as iniciativas de bioeconomia e apoiar a conservação dos recursos naturais da Amazônia. Sempre, é claro, respeitando os conhecimentos e as práticas tradicionais das comunidades que vivem nessa reserva”, pontua.

Ler notícia